quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Comissão de Feliciano aprova dois projetos contra homossexuais



A Comissão de Direitos Humanos, comandada pelo pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e conhecida como “bancada evangélica”, aprovou nesta quarta-feira, 20, dois projetos que buscar caçar direitos conquistados pelos homossexuais. Além disso, rejeitou um projeto que visava ampliar direitos.
 
Reprodução - Andre Dusek/Estadão
O primeiro projeto aprovado, de autoria de André Zacharow (PMDB-PR) e relatada por Marcos Rogério (PDT-RO), prevê a criação de um plebiscito para decidir sobre o reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo. Se a aprovada nas demais instâncias, a proposta derrubaria a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que legalizou a união homoafetiva. Seguindo a mesma linha, a segunda proposta, de autoria de Arolde de Oliveira (PSD-RJ) e relatada por Pastor Eurico (PSB-PE), pretende anular, por decreto legislativo, a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que tornou compulsório o registro de casamentos homoafetivos em cartórios de todo país. Ambas as propostas precisarão passar por outras comissões e por plenário, para que só então seja regulamentada.

O projeto de lei, de autoria do ex-deputado Maurício Rands, que pretendia reconhecer como dependentes, inclusive como direito a pensão, os companheiros homossexuais de servidores e beneficiários do INSS foi rejeitado pela comissão e teve parecer contrário defendido por Pastor Eurico. Contudo, o projeto segue para outras comissões e terá de ser votado em plenário.

“O deputado foi alçado ao cargo em meio a protestos de grupos da área que o acusam de homofobia e racismo por declarações dadas antes de chegar ao cargo. Após meses de tumultos nas sessões, o deputado fez uma agenda voltada para audiências públicas para tentar esvaziar a agenda dos protestos. A opção por colocar a proposta em pauta deve-se à proximidade do fim do seu mandato como presidente e para cumprir o desejo da bancada evangélica de levar adiante suas posições neste colegiado”. O Estadão.

Feliciano a ainda ironizou as possíveis críticas que deverá receber por conduzir votações como esta. "Meu papel é simplesmente votar. Não tenho medo do enfrentamento, não tenho medo do que escreve a mídia, o jornal de hoje embrulha o peixe de amanhã", afirmou da cadeira de presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Apesar de milênios de educação, de aprendizados, de descortinamento de diversas culturas e de outros universos, o ser humano ainda não conseguiu retirar os olhos do próprio umbigo. Ainda continuamos vivendo como se estivéssemos na idade das trevas, quando não se entendia sequer os fenômenos básicos da natureza. Quando ainda se imaginava que trovões eram as vozes de deuses furiosos.

É espantoso que depois de todo processo evolutivo e da gama de estudos sobre a natureza humana, parcela da população ainda não tenha compreendido o quão vasta pode ser a sexualidade humana e as inúmeras possibilidades que dela decorrem, inclusive a assexualidade. É tão primitivo o pensamento de quem acha anormal a homoafetividade que até me causa cansaço elaborar contra-argumentos. Não há como justificar a condição sexual do ser humano como uma preferência, como muitos gostam de pensar. Basta ver o quanto os homossexuais são massacrados, excluídos, discriminados, até seus direitos são suprimidos, como vemos claramente nas tentativas citadas nos primeiros parágrafos deste texto.

Então me vem uma reflexão; quer dizer que uma pessoa de bom senso opta, ou escolhe deliberadamente, por viver uma vida de muitas dificuldades e muitas vezes extremamente marginalizada? Ao meu ver, só sendo um masoquista idiota faria isso sem que uma força maior o impelisse.

Num texto bem criativo sobre homoafetividade Hanna Thuin justifica

Beauvoir, no Segundo Sexo, escreve que não se nasce mulher, mas se torna uma. Não são aspectos biológicos que determinarão a figura feminina; é, na verdade, uma construção social que a produz – construção essa em que as regras foram e ainda são, em grande medida, definidas por homens.
A separação entre o que se pode e o que não se pode ser começa na infância. A criança, seja menina ou menino, tem o mesmo interesse: ambos procuram pelo peito, ambos choram pelo leite. Aos poucos, o desmamamento – essa separação do corpo inicia a procura de sua auto-projeção para o mundo por caminhos outros que não o seio materno. Pela metáfora do espelho, a criança extrai da imagem dos pais a mímica-reflexo; são eles o ponto de partida da construção de uma identidade.  Seria o que Lacan chama de fase do espelho: a criança inicia sua relação com os sistemas simbólicos fora dela mesma e é este o momento de sua entrada nos vários sistemas de representação simbólica – incluindo a língua, a cultura e a diferenciação sexual (Stuart Hall. A Identidade Cultural Da Pós-Modernidade. Pg. 39).Na via dupla, os pais fazem desse reflexo um objeto, objeto esse a ser exposto reincidentemente para o mundo.
Na procura por aprovação, tanto pai e mãe quanto filho e filha agem estrategicamente. O menino aprende cedo que homem não chora, não brinca de boneca, não fala manso, não tem medo. A menina, por sua vez, é ensinada a etiqueta, a maneira “certa” de se sentar, a ser delicada, a ser indefesa, a esperar o resgate pelo príncipe encantado. Ao menino que será um homem é dado o movimento, à menina que pode vir a se tornar mulher, presenteia-se com a inércia. Presente de grego ou não, aqui se olham os dentes; nesse embate entre independência vs. vulnerabilidade, encontra-se um dos vários sentidos do enunciado de Beauvoir: a menina que destoa e subverte as normas heterossexuais não se torna mulher. No meio do caminho, uma pedra: se essa pedra caleja a inserção e showing- off dos filhos para o universo em que a família está inserida, deflagra-se uma verdadeira batalha para removê-la de lá e, nisso, encontramo-nos, novamente, com Mariana (a garota que não se enquadra no estereotipo que a sociedade espera de uma pessoa designada ao nascimento como menina).
(...)
Outsider é alguém que não vive de acordo com as regras de um grupo. Outsider, claro, é um rótulo e por assim o ser acarreta a recíproca: a pessoa que assim é classificada comumente considera os seus juízes como os verdadeiros outsiders. Mariana não se pensava errada, considerava a crítica alheia uma chatice reincidente; Mariana, em verdade, foi convencida de que anormal.
A premissa do senso comum é justamente essa:  que existe algo inerentemente desviante (qualitativamente distinto) em atos que infringem (ou parecem infringir) regras sociais¹. Atos, aqui, incluem as performances dos sujeitos. Tanto juiz quanto réu estão inseridos dentro desse fenômeno de (re)produção de outsiders, que varia em nuances de acordo com o local e a cultura – o que não exclui a proximidade e universalidade de procedimentos e resultados, já que a base estruturante das sociedades (pós)modernas é, ainda, a mesma: heteronormativa. Existe a regra e o que dela se diferencie ou o que a conteste é visto como pejorativo e, em alguns muitos casos, como doença. O leigo situa a fonte do desvio dentro do indivíduo desviante; aquele não consegue ver o próprio julgamento como parte decisiva do fenômeno².
O desvio, portanto, é a quebra de alguma regra social aceita e, tal como Franksteine, sua criação se dá pelas mãos de um determinado grupo ou indivíduo dentro do corpo social. O desvio não é, portanto, uma qualidade do ato que a pessoa comete, mas uma consequência da aplicação por outros de regras e sanções a um “infrator”³. Mariana, no momento em que não segue a caligrafia esperada, torna-se uma infratora; no momento em que escolhe a bola no lugar da boneca, torna-se uma infratora; no momento em que escolhe a bermuda no lugar do vestido, torna-se uma infratora; no momento em que não se incomoda em ser gorda, torna-se uma infratora.  Às regras maculadas, aplicam-se penalidades e essas penalidades se dão de acordo com o grau em que as pessoas reagem ao ato desviante. E todas e todos nós sabemos que as regras não se aplicam de forma igual. A partir disso, é válido problematizar outros aspectos: e se Mariana fosse negra? e se Mariana fosse pobre? e se Mariana fosse filha de uma família homoafetiva? e se Mariana destinasse sua fé a outra religião que não a cristã? e se Mariana fosse lésbica?
(...)
Por fim, a última linkagem.  O desvio é combatido porque é ele um perigo a norma, isso é óbvio. Quando Beauvoir fala que não se nasce mulher mas se torna mulher, no sentido mais amplo, ela quer dizer isto: ou a pessoa se encaixa no padrão heteronormativo ou não é ela uma mulher, não importa se a biologia afirma o contrário. A lésbica não é mulher, porque foge à condenação biológica da reprodução... Pet Direito UNB.

O que Feliciano tenta fazer é coibir a liberdade individual daqueles que ainda se imagina minoria. Simbolicamente as iniciativas, do Deputado e de outros indivíduos que compartilham da mesma ideologia, visam punir aqueles que se desviam do comportamento esperado e que, segundo a bancada, ameaçam aquilo que, supostamente, se compreende serem pilares da humanidade, o casamento, a família e Deus. Um Deus, que sob a própria ótica evangélica, é um ente contraditório por essência, pois é de uma extrema generosidade antagonizando com a extrema intolerância, que perdoa o assassino, mas que não aceita o amor entre pessoas de mesmo sexo. Mas este é outro assunto, que não pretendo discutir nesse momento nem futuramente.

Entretanto, não há argumentos, muitos menos religiosos, que justifiquem as tentativas de suprimir direitos de concidadãos, não há como aceitar que a nossa estrutura social retroceda e deixe a margem uma parcela significativa da nossa população. O Estado, que se sabe laico, não pode ter sua atuação fundamentada em princípios religiosos de determinados grupos.

O que Felicianos não sabem é que a comunidade LGBTT também tem título de eleitor e que também tem atuação política. Portanto, nunca esqueça senhor Feliciano: “o jornal de hoje embala o peixe de amanhã, e esse peixe, usado no almoço, tem espinhas que engasgam na garganta e não saem de jeito nenhum”. Outras eleições virão e o senhor é uma espinha na “goela” de muita gente.



Marido assassina esposa na frente do filho de 3 anos




O mundo não para e os homens não param de exercer seu poder de opressão. Hoje foi Michele e mais 13, 14, 15 ou 16 mulheres assassinadas pelo machismo, pela intolerância, pelo ciúme...




A Polícia Militar (PM) procura por um homem suspeito de ter assassinado a esposa a tiros, na tarde desta quarta-feira (20), na comunidade de Cruz das Almas, no bairro Penha, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Ele seria músico e conhecido pelo apelido de 'Baiano'. Segundo a polícia, o filho de três anos teria presenciado a morte da mãe e contado tudo para um vizinho.
De acordo com a PM, o suspeito fugiu em uma bicicleta com a arma usada no assassinato. Policias acreditam que tudo aconteceu depois de uma discussão entre o casal. Eles estariam separados há dois meses. Moradores contaram que ouviram os tiros e se aproximaram da casa. O suspeito teria saído da residência com o filho de três anos no colo e entregado a um vizinho.

O corpo da mulher foi encontrado caído na área de serviço com várias perfurações. De acordo com a família, Michelle Efigênia de Souza, de 34 anos, é enfermeira, mãe de dois filhos e Guarda Municipal em Casimiro de Abreu, no interior do Rio. Vizinhos disseram que nunca viram uma discussão entre o casal e que a família aparentava ser muito tranquila. Eles foram casados por 18 anos.

A perícia técnica do Instituto Médico Legal esteve no local do crime. O corpo de Michelle foi removido e levado para o IML. A PM faz buscas pela cidade de Campos, a fim de localizar o suspeito. O caso foi registrado na 134ª Delegacia de Polícia, na área central de Campos. G1.

Não consigo aceitar que uma mulher seja assassinada, na presença do filho pelo próprio ex-marido, ainda que fosse a única. Entretanto, Michele foi só mais uma. Estamos assistindo um verdadeiro massacre de nossas mulheres e a sociedade esta sendo cúmplice. O Estado está sendo omisso. Estamos entrando em 2014 e as estatísticas sobre feminicídio  nos revelam dados de 2011.

A impunidade também colabora pra que os números sejam alarmantes. De acordo com estudo preliminar do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), estima-se que entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminicídios (mortes de mulheres por conflito de gênero), especialmente em casos de agressão perpetrada por parceiros íntimos. Número condizente com uma taxa de 5,8 casos para cada grupo de 100 mil mulheres.

Como no caso de Michele, os parceiros íntimos são os principais assassinos de mulheres. Aproximadamente 40% de todos os feminicídio no mundo são cometidos por um parceiro íntimo. Em contraste, essa proporção é próxima a 6% entre os homens assassinados. Ou seja, a proporção de mulheres assassinadas por parceiro é 6,6 vezes maior do que a proporção de homens assassinados por parceira.

Também se sabe que grande parcela dos agressores é reincidente e parte das vítimas de homicídios já havia dado queixa a polícia sobre ameaças ou agressões praticadas pelo assassino e algumas delas já tinham conseguido medidas protetivas. Mesmo assim os assassinos desobedecem às ordens judiciais e, numa clara afronta ao Estado, se aproximam da vítima, as agridem novamente e as matam.

Esse comportamento reflete a cultura da tolerância. Somos tolerantes com o machismo, com a pequena agressão, com o preconceito, com as desigualdades de gênero e principalmente com os agressores.

Não se pode aceitar casos como o do jornalista Pimenta Neves, que depois de ser condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato da também jornalista Sandra Gomide, pôde recorrer do crime em liberdade. 

O feminicídio ocorreu em 2000, o jornalista foi condenado em 2006, em 2008 teve sua pena reduzida em 4 anos, passando a ter de cumprir 14 anos de prisão. Somente 2011 Pimenta Neves começou a cumprir pena, ou seja, foi para prisão. 
Pimenta Neves quando se apresentou à polícia em
2011. (Foto: Reprodução / TV Globo)


Então em setembro último, a juíza Sueli Zeraik da Vara de Execuções Criminais de Taubaté, no interior de São Paulo, concedeu ao réu o benefício de cumprir a pena em regime semiaberto. G1. 

Repare bem, foram três anos de prisão para punir alguém que assassinou uma mulher com quem o réu teve uma relação íntima, de confiança. Não me entra na cabeça que alguém pague pela morte de outra em 3 anos de prisão.Muito embora isso tenha ocorrido por conta da condição financeira do assassino, em muitos feminicídios o assassino sequer é preso.

O que o Estado está dizendo com esse tipo tratamento? Que o feminicídio compensa, que se pode matar a companheira sim, pois não haverá punição, que a vida da mulher não vale nada, que o home pode tudo.    

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJ94s-zHCnKAN7aEmlWHp6CQAaEx6S187IEFidb2McZSP-TsgCRmjsJzGKgVKsFcGuF74zX3wTWkAx12Ne2veK0m9Rl8rwHvE3j-7WN5-2U57wx2DRyl4bVaqAO0P9ZGaiiCCNHo8qUuuX/s1600/mulher+violencia.jpgNo Brasil contamos com o ligue 180 que é um serviço da  Central de Atendimento à Mulher. O serviço é ofertado pela Secretaria de Políticas para Mulher (SPM) e tem o objetivo de receber denúncias ou relatos de violência, de ORIENTAR as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente e ainda, ENCAMINHA-LAS AOS SERVIÇOS ESPECIALIZADOS quando necessário.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Menina se enforca após ter foto íntima divulgada na internet




Parece que estou reeditando uma notícia, mas infelizmente não se trata disso. Desta vez, a adolescente tinha 16 anos. Giana Laura Fabi foi encontrada enforcada em Veranópolis (a 176 km de Porto Alegre). A polícia suspeita que ela que tenha se suicidado depois de descobrir que uma foto sua, seminua, foi publicada na internet. 

A família informou à polícia, na tarde desta terça-feira (19), que a causa do suicídio pode ter sido o compartilhamento da foto. A menina foi encontrada morta, enforcada com um cordão de seda, na última quinta-feira (14).

As informações do delegado, Marcelo Ferrugem, revelam que um amigo da adolescente repassou a foto, onde a garota exibe os seios, em uma mensagem privada numa rede social. Uma amiga da adolescente, que recebeu a foto, comentou com Giana. A colega contou à polícia que a jovem ficou transtornada e ainda na mesma tarde, a amiga viu uma mensagem, num microblog, onde Giana dizia que daria um fim à própria vida para não ser um estorvo para ninguém. Ela informou que tentou diversas vezes falar com vítima por telefone, mas ninguém atendeu.

O acusado de postar as fotos, um garoto de 17 anos, foi ouvido pelo delegado Nesta quarta-feira (20). Ele confirmou, em depoimento, que as fotos da garota foram feitas através da captação de imagens durante uma conversa dele com Giana pelo Skyp, ocorridas há seis meses. Ele a teria pedido para que mostrasse os seios e, nesse momento, gravou a imagem em formato de foto. Essa foto foi repassada a outros quatro amigos. Os quatro citados serão ouvidos pela polícia.

Não queria voltar a abordar o desespero que as meninas sentem ao terem suas imagens veiculadas nas mídias, mas infelizmente a dura realidade da vida me impele a isso.

Depois do suicídio de Júlia me surge a notícia da morte de Giane. Thamiris que também pensou em se matar depois de ter sido chantageada e ter sua intimidade violada das mais vis formas possíveis. Veja seu depoimento.
“O que eu vou escrever agora me deixa extremamente desconfortável. Eu não queria esse tipo de exposição, mas depois de ter toda a minha intimidade exposta pelo meu ex-namorado Kristian Krastanov, e receber mais de 100 mensagens de pessoas desconhecidas, vou dar uma única resposta.
Para contextualizar, o nosso namoro era permeado por brigas e términos semanais e/ou mensais. Meus amigos podem confirmar isso. Estávamos ambos infelizes, ele vivia testando os meus limites e depois pedindo desculpas, porque "se eu realmente amasse, eu daria outra chance" e ficamos nesse lixo por um tempo incrível. Posso afirmar que ele continua testando os meus limites.
Já falei em outros posts sobre as ligações diárias dele, que de 20 passaram pro ápice dos 400 em questão de alguns meses. Foi em julho que as ameaças começaram: "eu vou colocar suas fotos nua e vídeos na internet etc". Mas sinceramente, quão ridículo e baixo é ameaçar e mendigar amor e atenção com chantagens?
Tudo foi piorando e ficou mais do que claro de que conversa não adiantava. Quando ele me ameaçou de morte, eu resolvi agir e fui à delegacia de polícia da mulher fazer um boletim de ocorrência. Eu estava perdendo a minha cabeça.”
Até briguei com alguns amigos por eles me acharem lerda demais pra reagir. Eu só não queria causar alardes, queria que tudo terminasse bem. Era só ele se afastar e sumir pra sempre...
Kristian e seus milhares de fakes, inclusive um se passando por mim.
Ele tinha hackeado meu e-mail da universidade, o qual eu recuperei a senha esses dias por algum milagre, e vi que um dos milhares de perfis falsos que ele criou para me atormentar estava vinculado ao meu próprio e-mail, além de um perfil se passando por mim num site pornô. Eu até colocaria o print screen da tela aqui se não morresse de vergonha. Ele me enviava e-mails quase que diariamente.
Na madrugada do dia 31 de outubro de 2013 ele espalhou uma foto minha nua junto deste meu perfil do Facebook. Eu recebi umas 40 solicitações de amizade de desconhecidos e algumas mensagens indesejadas, algumas com a minha foto, outras sem. Perguntei para várias daquelas pessoas em que grupos eu estava e coisas do tipo. Descobri pelo menos 4 ou 5 grupos de putaria do facebook, coisa que eu nem sabia que existia antes disso. Eu pensei que aquela tivesse sido a pior madrugada da minha vida, chorando por horas a fio. Mudei a foto do perfil, coletei as evidências que consegui, mudei algumas coisas na seção de privacidade da conta e desativei o facebook.
Kristian e seus milhares de fakes, inclusive um se passando por mim.
Kristian e seus milhares de fakes, inclusive um se passando por mim.
              
 Eu só reativei minha conta por motivos práticos, e se não precisasse dela pra conversar com certas pessoas, nem teria reativado. Talvez tivesse sido melhor, não teria recebido outra ameaça ou sei lá o quê disfarçada de aviso.
Pois é, Kristian. Você não queria me ver toda acabada e arruinada? Eu tenho certeza de que suas mensagens falando "vamos ser amigos, eu te perdoo, só volte pra mim" são apenas mais armas da sua tortura psicológica para testar os meus limites. Com seus 26 anos, você deveria ter o mínimo de maturidade na sua cabeça. Infeliz fui eu por ter sido a sua primeira. Primeiro namoro, primeiro beijo, primeiro tudo. Se eu pudesse voltar no tempo, desejaria nunca ter olhado na sua cara.
 Nos meus momentos mais egoístas, eu admito que é muito atraente a ideia de cortar meus pulsos ou tomar todos os comprimidos que eu encontrar com alguma bebida alcoólica bem forte. Mas eu não vou te dar esse gosto da vitória.
Ainda que neste momento eu seja parte das estatísticas das vítimas de ex-namorados imaturos, eu nunca serei parte das que se suicidam por causa disso. Algum dia eu vou parar de chorar o tempo todo, eu vou recuperar as minhas forças, e mesmo que a justiça ainda seja falha no quesito de crimes virtuais desse tipo, estamos caminhando para leis melhores. 
 O que você fez comigo eu não vou perdoar nunca.

Se resta alguma dúvida sobre o quão nocivo é a exposição da intimidade de uma garota, basta lembrar o que houve com Júlia e Giana. Também pode demos ver o que dizem os covardes que se escondem por trás do anonimato.



Felizmente, temos pessoas de bom senso nessa nossa sociedade, como por exemplo, o DeputadoFederal Romário, que já elaborou um projeto de lei que visa criminalizar a divulgação de material íntimo.

Caso seja aprovado, e será, essa farra com a intimidade feminina irá acabar, ou pelo menos diminuir. Enquanto o projeto não vira lei, maiores de idade que repassaram as imagens podem responder pelo crime previsto no artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - divulgar cenas impróprias envolvendo menores de idade. A pena varia de três a seis anos de prisão.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, infelizmente, o adolescente que repassou as fotos dificilmente deve ser internado, mas responderá com alguma medida socioeducativa, como prestação de serviço à comunidade. Medida insignificante diante do estrago causado.