segunda-feira, 10 de março de 2014

Legitimação da transfobia pelos professores




Uma das frases que mais me incomoda com relação a homofobia é “não tenho nada contra gay, desde que...”, há sempre condicionantes e uma forma desrespeitosa de tratar a homossexualidade. Uma delas é negar sua identidade.


Lucas é um transexual – mulher para homem – de 18 anos que está cursando o ensino médio numa escola técnica de Fortaleza, adotou nome social masculino, está aguardando ser atendido por um endocrinologista no Hospital Mental de Messejana para realizar sua hormonização e completar sua transição, já que somente lá que fornecem ajuda aos transexuais gratuitamente. Ele, que se descobriu trans por volta de três anos atrás, mas somente há três meses resolveu se assumir, já tem muitas das características masculinas e se veste normalmente como homem. Sua família conhece sua condição e o apoia na completa transição para o gênero masculino. O conheço de reuniões e eventos para tratar de questões referentes a gênero, mantemos contato também através das redes sociais e foi justamente a partir delas que tomei conhecimento das dificuldades que Lucas vem enfrentando com relação a sua condição na instituição onde estuda. Perceba através do seu próprio relato o que lhe ocorre,

Passei um tempo da minha vida longe de todos e tudo, porque chegou um momento em que comecei a me sentir excluído até na minha própria roda de amigos. Sei que me acham estranho, sei que recebo alguns ruins olhares aonde eu vou, em toda minha vida eu sempre fui julgado por pessoas que acham que o seu conceito de vida é o correto pra sociedade, até o dia em que entrei para o ... (escola onde estuda), conheci varias pessoas com diferentes estilos, gostos, conceitos, religião. Achei que meu problema social iria mudar, erro meu. Foi exatamente lá que a falsidade começou a rolar, uns dizendo "sou 'amigo' mas não aceito, só respeito" outros dizendo "como devo chamar? Criatura?" [sic]e outros fuxicando "será mesmo que isso é necessário?" RIDÍCULOS, IGNORANTES, vocês tem internet mas não sabem fazer nada útil nesta droga, só sabem ver pornô e ficar no facebook. RIDÍCULOS. Eu cansei dessa vida social medíocre, cansei de gente falsa e de pessoas que não tem o que fazer e ficam falando da vida alheia, prefiro meus jogos, livros, filmes e seriados, se quiserem falar comigo na sinceridade e honestidade venham falar no bp, peçam meu numero, porque eu não vou mais atrás de falar com NINGUÉM, não sei quem são vocês e quem são os amigos de verdade.”

Lucas se refere a transfobia que vem sofrendo dos próprios colegas estudantes:

Olha, eu nunca desrespeitei NINGUEM, então eu quero que me respeitem também, nunca dei motivo algum pra ninguém sair me adicionando pra depois ficar me exculhambando ou praticando a Transfobia [sic]. Entendam, meu nome é “Lucas”. Jamais repitam o maldito nome que ainda se encontra no RG, e por gentileza, sem brincadeirinhas viu “xiquinha”? Porque existe hora e lugar pra isso e aqui ta passando é longe. Vocês não sabem do sofrimento que é pra um transexual quando ficam de zoaçao pra cima da gente, dói, machuca. Então, PAREM, PAREM PAREM, porque eu tou exausto disso.

Lucas se queixa da insistência de alguns colegas lhe tratarem pelo nome de registro. Além disso, seus colegas reforçam a recusa justificando que o nome deve estar alinhado ao sexo biológico designado no nascimento e no registro. Atitudes caracterizadas como transfobia.

ela dava apoio até um dia desses, sabe? Depois de repente começa a me esculhambar, eu ja tinha deletado ela do face, mas ela continuou a me encher pelo bate papo, daí tive que bloqueá-la, mas ela não foi a primeira, pra falar a verdade ela foi a quinta que praticou esse ato tão nojento e isso apenas de tarde, imagina sofrer ataques assim todos os dias em todas as redes sociais? “Zezinha” bicha faz inveja não, vou me operar também e.e

Podemos perceber que os colegas de escola o perseguem, não respeitam sua identidade. Apesar disso, o maior problema que ele enfrenta é a dificuldade de convencer seus professores a respeitarem seu nome social. Então podemos perceber que é um ciclo, os professores violam seu direito de ser tratado pelo nome social negando-lhe sua identidade. Essa atitude “legitima”, perante (a)os alunos(as), a transfobia, reforçando o bullying e o comportamento hostil dos colegas de classe. Então constrói-se um ciclo que se retroalimenta e não cessa. É necessário que a administração da escola reveja sua posição e adote um tratamento respeitoso e humanizado a Lucas, que convença seus professores a trata-lo por seu nome social

"Entende-se por nome social aquele pelo qual travestis e transexuais se reconhecem, bem como são identificados por sua comunidade e em seu meio social", conforme Decreto 51.180, de 14 de janeiro de 2010, que dispõe sobre a inclusão e uso do nome social de pessoas travestis e transexuais nos registros municipais relativos a serviços públicos prestados no âmbito da Administração Direta e Indireta do município de São Paulo. Patrícia Araújo em reportagem para o Consultor jurídico.
 
Aparentemente, a recusa em respeitar e adotar o nome social e os pronomes de tratamento equivalentes, pode ser uma atitude sem maiores consequências, no entanto, se configura como um grave problema e é um principais fatores que leva à evasão escolar. É justamente o que veem ocorrendo à Lucas, que aos poucos tem se afastado da instituição.  O afastamento da escola é uma das atitudes tomadas por quem sofre bullying, seja por conta da homofobia ou em decorrência de qualquer outra “diferença”, como o racismo, por exemplo. Como continuar frequentando as aulas se sua dignidade é violada sistematicamente? Ser tratado pelo nome social é o mínimo de respeito que o transexual ou travesti espera das pessoas do seu convívio e já é, em muitos estados, um direito.

Entao, seria interessante pro ... porque é o primeiro caso transexual. Porém eu mesmo já desisti do curso, pela transfobia e por não ser o que eu realmente desejo, então vou muito pouco e quando vou, na hora da chamada eu saio. Eu fico totalmente sem graça.” Lucas.

Quando ele (o professor) me chamava na sala de aula do nome o qual não condiz com a minha aparência, me trazia constrangimento e às vezes servia até de bullying para os colegas. Em vez de me agregar na escola, me expulsava da escola. Terminou que eu parei de estudar porque era muito preconceito, muita transfobia dentro da sala de aula”, Milena, atual presidente da Associação dos Travestis.

Para o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), a não utilização do nome social está entre os principais fatores que contribuem para aumentar o índice de evasão escolar entre homossexuais. Francisco Pedrosa, presidente da instituição, explica que esse nome é construído a partir de uma identidade de gênero que o travesti adquire ao longo de sua vida. Por isso, não tem sentido que seja chamado pelo nome masculino.” Luana Lima em reportagem do Diário do Nordeste.  

Aqui no estado do Ceará já há uma resolução regulamentando adoção do nome social na escola.

Travestis e transexuais podem utilizar nome social em escolas e universidades do Ceará. É o que determina a resolução publicada no Diário Oficial do Estado na última quinta-feira (3). O texto deixa claro que, em respeito à cidadania, ao pluralismo e à dignidade da pessoa humana, além do nome civil, as escolas deverão incluir, quando solicitado, o nome social de travestis e transexuais, que é como essas pessoas preferem ser chamadas, em todos os registros da instituição. Para isso, o estudante deverá ser maior de 18 anos e manifestar o desejo de ser tratado pelo nome social no ato da matrícula ou a qualquer momento no decorrer do ano letivo. Os que não atingiram a maioridade legal também podem solicitar a inclusão, desde que venha acompanhada de uma autorização, por escrito dos pais ou responsáveis, ou por decisão judicial. Após a requisição, a instituição tem o prazo de 30 dias para incluir o nome social nos registros internos da instituição. Entretanto, a resolução ressalta que, nos documentos oficiais, tais como declarações, certidões de histórico escolar, certificados e diploma, constará somente o nome civil do aluno. [...] O presidente do Grab afirma que essa resolução vem reparar uma dívida histórica de uma questão básica de direitos humanos, que é a utilização do nome social por parte de travestis e transexuais. Pedrosa diz que, por tratar-se de uma pessoa feminina, torna-se constrangedor para ser chamada pelo nome civil.” Luana Limaem reportagem do Diário do Nordeste.
 
Apesar dos problemas que Lucas enfrenta com alguns de seus colegas e professores, ele tem apoio, carinho e solidariedade de alguns dos seus colegas. Eles construíram um grupo no qual se apoiam e encontram forças para lidar com as dificuldades do dia-a-dia. Vários de seus colegas o aceitam, se solidarizam com ele e até partilham os mesmos problemas enfrentados por ele e lutam ao seu lado para combater a homofobia. Decerto que é um desafio árduo e uma luta sem tréguas. Afinal, a mudança de uma cultura demanda tempo. Entretanto, paradigmas vão sendo desconstruídos, a cultura de tolerância se formando e uma sociedade melhor brotando a partir dessas lutas e conquistas. Parabéns meninxs, vocês são verdadeirxs guerreirxs, inclusive você Lucas e estão construindo uma linda história.

domingo, 9 de março de 2014

Ato unificado: Mulheres na rua:Nossa luta é todo dia

Um resumo fotográfico do ato em alusão ao Dia internacional da mulher promovido pelos movimentos feministas do Estado do Ceará.













Fotos: Marcha Mundial das Mulheres do Ceará e Maria das Graças Silva

sábado, 8 de março de 2014

08 de março, dia internacional de luta



Hoje, dia Internacional da mulher, não termos o que comemorar, pelo contrário, é um dia de luta, marcado por profundas reflexões; que sociedade queremos, que sociedade estamos construindo, qual a dimensão da dívida que o Estado, enquanto instância repressora e opressora, tem conosco mulheres, de que maneira se pode trabalhar para a construção de uma cultura de igualdade de gênero, de que forma contribuímos para a manutenção desse sistema opressor, como romper a cultura da tolerância com a violência à mulher? São muitas perguntas. Algumas delas difíceis de responder, outras de fáceis resposta e solução. 

Mas de uma refelxão, especialmente hoje, não podemos fugir; o que leva o homem agredir violentamente sua companheira e até lhe tirar a vida? 

Precisamos refletir bem sobre isso hoje, amanhã, depois de amanhã.... e sempre, a cada uma hora e meia, intervalo médio entre a ocorrência de um assassinato e outro que são cometidos diariamente contra nós mulheres, somando, ao final de cada dia, são 15 feminicídios, que interrompem vidas de meninas, adolescentes ou recém saídas desta fase, mulheres jovens, mães de famílias e até avós, deixando órfãs crianças, amigos e até mães (que muitas vezes tem nas filhas sua fonte de sustento).

O assassinato é expressão maior da violência, mas, a cada agressão com palavras grosseiras, com gestos obscenos, com empurrões, com cerceamento da nossa liberdade, com a usurpação da nossa sexualidade, com cada lesão do nosso corpo, com controle das nossas finanças ou supressão do direito de assistência econômica, com cada frase dita com o intuito de ferir nossa dignidade, cada ato que nos viole no faz morrer um pouquinho, perder o brilho e a vontade de viver. E a cada companheira violada ou morta morremos todas nós um pouco.

É em homenagem à algumas delas, que foram retratadas durante a construção desse blog, que dedico a reflexão de hoje e a nossa luta enquanto feministas."Nossa luta é todo dia"
Na manhã de terça-feira, dia 23 de abril, foi enterrado corpo de Hirome Sato de 57 anos, morta por estrangulamento em seu apartamento pelo seu companheiro, o advogado Sérgio Brasil Gadelha, de 74 anos, que confessou ter cometido o crime por conta de ciúmes. Outro crime brutal vitimou uma adolescente de 17 anos na cidade de Iguatú, interior do Ceará. O corpo da jovem, Keyla Cibela Queiroz foi encontrado num lixão, na saída da cidade por uma catadora de lixo. A jovem estava desaparecida a mais de dois dias. Yaslan Moreira da Silva, companheiro da vitima, com quem tinha um filho de 9 meses e um relacionamento de mais de dois anos, confessou ter matado a jovem com uma martelada na cabeça, em seguida,  ter envolvido seu corpo em sacos plásticos e desovado no lixão. 

Corpo da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, foi encontrado nesta quinta-feira, após prisão de quatro funcionários de um parque de diversões em Colombo, região metropolitana de Curitiba, Paraná. Três dos presos confessaram terem estuprado e matado a adolescente Tayná. 

Nesta segunda feira (12) mais uma mulher entra para as estatísticas da violência. Sandra Helena Queiroz, doméstcia, 42 anos, foi morta a tiros numa parada de ônibus da Avenida Dedé Brasil, no bairro Serrinha, em Fortaleza. O suspeito de ter cometido o crime é o ex-marido da vítima, que estaria inconformado com fim do relacionamento. 
 
Adolescentes africanas são trazidas de seus países para o Brasil para participarem de esquema de prostituição.  De acordo com César Rosati, Folha de S. Paulo, o esquema de exploração sexual seria liderado por uma máfia de origem europeia. As vítimas de exploração seriam adolescentes africanas, com idades entre 16 e 17 anos, fugitivas de países em guerra e estariam sendo prostituídas em São Paulo. Esquema de exploração sexual de adolescentes africanas seria liderado por máfia de origem europeia

Uma diarista de 44 anos foi estuprada e morta com requintes de crueldade. Carmita Andrade, mãe de quatro filhos, teria saído para se divertir na periferia de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Após passar por vários bares na companhia de conhecidos ela teria desaparecido já pelo final da tarde do último sábado.  A vítima foi encontrada sem vida, seminua com as calças arriadas, jogada dentro do esgoto, num córrego em uma favela.

Laudo aponta que a jovem Aline Moreira, 18 anos, encontrada morta último dia 1º, sofreu violência sexual. A polícia investigava seu desaparecimento desde o dia 27 de setembro, após pegar carona com o namorado da mãe. Seu corpo foi encontrado nu e em estado de decomposição a 40 quilômetros de Rio Negro, região metropolitana de Curitiba (PR).  Aline teria pego uma carona, com a namorado de sua mãe, para ir de Mafra (SC) à capital paranaense e desde então não tinha mais sido vista. 

Nos últimos dias tem circulado na internet um vídeo íntimo onde aparece uma garota fazendo sexo oral com o “namorado”, perguntando pra ele se *gostaria de fazer sexo anal,  e fazendo um sinal de ok. (*As palavras usadas na pergunta, durante a gravação, não serão reproduzidas neste texto pois não estão condizentes com a política do blog) 

O suplente de vereador, ex-vereador de Fortaleza e atual chefe de gabinete do prefeito de Madalena, Francisco das Chagas Filho (PTdoB), de 47 anos, assassinou  a facadas sua ex-mulher,  Andreia Jucá Terceiro, de 39 anos, com quem estava casada a mais de 18 anos e tinha 3 filhos. O crime aconteceu na tarde de ontem, 13 de outubro, no apartamento dela, no bairro Rodolfo Teófilo.  O assassino Francisco, que na Câmara Municipal adotou o nome Alan Terceiro, foi autuado em flagrante por homicídio qualificado. O inquérito corre no 34º distrito. Suplente de vereador assassinaex-mulher.

Thamiris luta por ver punido namorado que expos fotos intimas suas na internet. A coragem de Thamiris em expor sua dor é enorme e a batalha que vai ter de enfrentar é longa e o resultado incerto. Além da Via Crucis que enfrentará com a polícia, pois o caso foi denunciado, a ela continua exposta a julgamentos e xingamentos, promovidos principalmente pelos parentes do Kristian. 

A Polícia Militar (PM) procura por um homem suspeito de ter assassinado a esposa a tiros, na tarde desta quarta-feira (20), na comunidade de Cruz das Almas, no bairro Penha, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Ele seria músico e conhecido pelo apelido de 'Baiano'. Segundo a polícia, o filho de três anos teria presenciado a morte da mãe e contado tudo para um vizinho. 

Giana Laura Fabi foi encontrada enforcada em Veranópolis (a 176 km de Porto Alegre). A polícia suspeita que ela que tenha se suicidado depois de descobrir que uma foto sua, seminua, foi publicada na internet. A família informou à polícia, na tarde desta terça-feira (19), que a causa do suicídio pode ter sido o compartilhamento da foto. A menina foi encontrada morta, enforcada com um cordão de seda, na última quinta-feira (14).

Infelizmente Júlia não suportou a vergonha de ter sua intimidade exposta na internet e resolveu acabar com a própria vida, se enforcando com o fio de sua prancha de cabelo. A polícia de Parnaíba ainda investiga o caso.

Suzane continua lutando pela vida, mas não apenas por sua própria. Integrante de diversos grupos feministas e ativista pela igualdade de gênero, Suzane Jardim pode ser comparada à garota paquistanesa Malala. 

Na madrugada desta segunda-feira, 9, vazou foto onde a estudante Carol Portaluppi, conhecida por ser filha do ex-jogador Renato Gaúcho, aparece nua. Na imagem, Carol aparece apenas segurando um copo de bebida completamente nua, exceto por curativos nos seios, que poderiam ser da cirurgia para a inserção de silicone realizada em setembro

Na tarde de sexta-feira, dia 13, um homem de 70 anos foi preso em flagrante pela acusação de estupro contra a própria sobrinha de apenas oito anos de idade. O crime aconteceu no Sítio Boa Esperança, Distrito do Arajara, em Barbalha. 

 
Uma travesti de 50 anos foi executada com tiros na cabeça e pernas, nessa terça-feira (14), em Uberaba, no Triângulo Mineiro. A vítima estava em um ponto de prostituição do bairro São Benedito e a autoria e motivações do crime são desconhecidas.

 
Uma menina de 09 anos, de iniciais V.I.G.S. foi estuprada pelo vizinho que realizava uma obra na casa da vítima. O agressor era um pedreiro amigo da família da vitima, Francisco Farias de 40 anos. O caso foi encaminhado ao 24º distrito em Pacatuba.

Ainda dia 1º uma estudante de 24 anos, Nívea Araújo, foi jogada do terraço de sua casa supostamente pelo ex-noivo, Leonardo Carvalho de Oliveira. Durante a tarde de ontem o corpo de Janaina da Silva Evangelista, de 25 anos, foi enterrado em São Paulo. Ela foi morta pelo próprio noivo no Jardim Oratório, em Mauá, na Grande São Paulo, na noite da última segunda-feira. Sandro Sales Silva teria matado a noiva, Janaína, após uma briga causada por ciúmes. Alessandra Alcântara Isaac, de 21 anos, sofreu uma tentativa de assassinato no Shopping Tijuca, Zona Norte do Rio. Alessandra foi esfaqueada nas costas (foram seis facadas) enquanto aguardava o shopping abrir. Mesmo ferida a vítima conseguiu informar aos policiais militares que fora agredida pelo ex-namorado, Pierre Alexandre Inácio da Silva, de 40 anos. Durante a tarde de ontem o corpo de Janaina da Silva Evangelista, de 25 anos, foi enterrado em São Paulo. Ela foi morta pelo próprio noivo no Jardim Oratório, em Mauá, na Grande São Paulo, na noite da última segunda-feira. Sandro Sales Silva teria matado a noiva, Janaína, após uma briga causada por ciúmes.

Eu só queria ajuda... para não morrer numa poça do meu próprio sangue no chão da cozinha. Sou grata por toda a ajuda... preocupação... e o que a humanidade tem mostrado para mim. O depoimento foi escrito por Susann Stacy, de Kentucky, nos Estados Unidos, que foi brutalmente atacada pelo marido. 

 
Uma adolescente indiana sofreu dois estupros coletivos em ataques separados e depois morreu queimada viva, reavivando os protestos contra este tipo de crime na cidade de Calcutá e na capital, informou a polícia nesta quinta-feira. A menina de 16 anos foi primeiramente atacada em 26 de outubro e novamente no dia seguinte por um grupo de mais de seis homens perto da casa de sua família na cidade de Madhyagram, 25 km ao norte de Calcutá. 

Sandra Lúcia Fernandes, que foi morta covardemente a facadas por seu namorado, Marcos Aurélio Barbosa da Silva. Sandra era professora, feminista, militante ativa no Sindicato dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (Simpere), no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e no Movimento Mulheres em Luta (MML).


Nota dos movimentos feministas para o Ato Unificado



Dia 08 de março - Dia internacional da mulher

Em março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos situada na cidade norte americana de Nova Iorque fizeram uma grande greve na luta pelos seus direitos e foram queimadas vivas por isso. Hoje, 8 de março de 2014, saímos as ruas para lutar contra esse modelo de sociedade que ainda nos oprime todos os dias.

Nós, mulheres, somos mais da metade da população mundial. Somos milhões ganhando salários mais baixos, ainda que executando a mesma função que os homens; cumprindo dupla ou tripla jornada de trabalho, incluindo o trabalho doméstico, que não é reconhecido; sofrendo assédio moral e sexual no trabalho, no ônibus, na rua e em casa; sendo violentadas por nossos namorados, maridos ou patrões; sendo exploradas sexualmente desde a adolescência e aprendendo que nosso corpo é negociável e disponível ao prazer dos machos; sendo tratadas como objeto pela mídia, vendidas como acompanhamento de cerveja, carro ou desodorante e atormentadas por um padrão de beleza que nos oprime. Somos negras, oprimidas também pelo racismo, mais exploradas em trabalhos que trazem em seu cerne marcas de escravidão. Somos lésbicas que, quando não invisíveis, colocadas como objeto de desejo e fetiche para satisfação sexual - masculina, é claro.

Nós, mulheres, somos as que mais dependem e acessam os serviços públicos de má qualidade: faltam creches para nossos filhos, escolas perto de casa e a nossa saúde é meramente reprodutiva. Somos as que mais sofrem com as remoções ocasionadas pela copa, por obras de mobilidade urbana ou por qualquer grande projeto dos governos federal, estadual e municipal, com a perda de nossas casas e os deslocamentos aos quais nos obrigam. Somos as mais afetadas por um modelo de cidade excludente. Somos as mais atingidas pela seca. Somos aquelas para quem a repressão, a cada manifestação, vem acompanhada de ameaças de abuso sexual ou do abuso propriamente dito. Somos também as que têm o direito ao nosso corpo rifado a cada nova quadra eleitoral em nome da aliança com setores conservadores para a tal governabilidade. 

Somos mulheres trabalhadoras que ainda vivem em um sistema capitalista e opressor, patriarcal e machista, que nos impõe uma lógica de dominação masculina, seja de pai, marido ou patrão. Um sistema que lucra - e muito - ao nos destinar à vida privada e à função social de reprodução e de cuidado e ao fazer da nossa mão de obra fora de casa mais barata. Um sistema que nos violenta sexual, física e moralmente e ainda banaliza cada uma dessas violências, fazendo delas - e da nossa dor - espetáculo midiático.

O machismo é estruturante de toda a sociedade. Por isso, todas as causas do mundo são as causas das mulheres. Cada uma delas não está resolvida se o machismo, o racismo e a lesbotransfobia que trazem em si não são superados também. Nós, mulheres, estamos nas ruas. A nossa luta é todos os dias: por um transporte público, gratuito e de qualidade, por uma educação libertadora, por melhores condições de trabalho, por bons serviços públicos, contra as remoções das obras, contra os governos que nos rifam... Por liberdade.