quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vídeo, Pudico, de apoio a Fran contra a hipocrisia da sociedade.






Por Ana Eufrázio

Ontem foi publicado um vídeo no You Tube dando apoio a Fran. O vídeo, num tom irônico, é um convite a fazermos uma reflexão sobre a maneira que agimos na nossa intimidade e as cobranças que fazemos aos outros.  Esse é justamente o ponto de inflexão entre a hombridade e à hipocrisia. Exigir dos outros um comportamento que na sua intimidade você não tem é no mínimo hipocrisia. Assista o video.


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhD8B-4plRg23KErW80Npd0gzNe5rILq9DBAO-bIu6Pe_iRYcnkWrGY1DwVeZK8A6FiH6sy0SATdnt0fTuMerYBxIF2ynyUGxWrP39BhRpvs57uqkzGWZh8DsDFqqAR-DjyggGIj5qF3l-J/s1600/franfacebook_250.jpgLamentavelmente, a nossa sociedade está recheada de hipócritas e muitos deles se ocuparam em difamar a Fran, criticá-la e compartilhar o vídeo íntimo da moça. São pessoas que tem um universo de coisas pra fazer, mas que preferem ocupar-se do comportamento alheio.
 
Os sujeitos que criticam a Fran, são os mesmos que criticam os homossexuais, o casamento gay e adoção de crianças pelo casal, as saias curtas, as mulheres que são “rodadas”... 

Mas afinal, o que eu tenho a ver com a vida dos outros? Vale salientar que eu mal pago as minhas contas. Então não me importa quem adota quem, quem dorme com quem, se fulano faz sexo oral, anal ou se não faz sexo.

Porque tanta hipocrisia?
E àquela história de que “Entre quatro paredes vale tudo”?
E àquela conversa de que “A mulher ideal é santa na sociedade e puta na cama”?
E os que faremos com os anos de luta das feministas pela liberação sexual feminina?

É inaceitável que depois de tanto embate entre feministas e machistas, depois de tanta discussão sobre liberdade, privacidade e respeito, uma minoria (prefiro acreditar que é minoria) ainda submeta à execração pública mulheres que se predispõem a vivenciar sua sexualidade livremente.
Felizmente, me surpreendem comentários sobre o caso Fran. Fico surpresa porque acreditava que esse tipo de pensamento, machista, sexista, preconceituoso e hipócrita, fosse tão ultrapassado que as pessoas tivessem vergonha de revelá-los.  

“O que o cara fez foi errado, nem precisa comentar, mas ela também pediu, né? Aí circula na internet um apoio a Fran, dizendo que ela faz o que todas fazem, só se isso se refere ao sexo, né, porque piranha nem todas são, em trair o MARIDO. O cara é um FDP, mas ela tbm é vadia (pelo fato de trair).”  J. Bonilla ·

“perfeito. ele é canalha mas ela é puta, andava com três, com cara casado sabia de tudo e fez e aconteceu., que cada um dos dois pague seu preço”. H. Metall.

“ORA BOLAS,QUEM TERIA QUE TOMAR AS DORES ERA O CHIFRUDO MARIDO DELA.ELA,UMA VAGABUNDA,DEPOIS DE FAZER TUDO AQUILO QUE ELA FEZ NÃO TEM DIREITO MORAL NENHUM.E O QUE QUE O GUAMPUDO FEZ?” Celso Pilar.

Nenhuma dessas pessoas, teve o cuidado de buscar informações antes de julgar e condenar Fran, boa parte delas se sentiram no direito serem ainda mais cruéis por suporem que era casada quando na verdade o rapaz é que era casado. Entretanto, neste caso, nada importa além da execração pública de uma pessoa, o resto é acessório.

Quando qualquer mulher tem sua intimidade violada, e em razão disso é execrada, todas as mulheres se obrigam a se retraírem e passarem a desconfiar dos seus parceiros, está, então, instalada a cultura do medo, do vale tudo e do salve-se quem puder.

Mas em meio a tudo isso, e ao bombardeio de críticas, sempre há pessoas com o mínimo de bom senso e que acreditam que o respeito à privacidade e individualidade é inviolável e inquestionável. 

“Ela fez oq? Deu a b.... p o cara e filmou? Qual o problema nisso? O cara não tinha o direito de espalhar isso por aí. Nem se tivesse filmado, nem se tivesse sido contado boca-a-boca. Vergonhoso saber que faço parte de uma sociedade onde vc tbm está u.u.” Bruna Yokota.

“O cara que postou o vídeo tá certo então? Vamos deixar o cara de lado já que ela fez tudo sozinha! Dói ver mulheres pensando assim... Quanta hipocrisia! O cara que cometeu o crime, é ele que corre o risco de ir parar na cadeia. A garota deve estar deprimida e sofrendo as consequências de acreditar em um babaca, mas nada justifica julgar a pobre menina.” Raissa Moraes.  

“O f... é que nem o babaca viadi... do caral... mostrou a cara no video pq sabia que ia sujar pro lado dele... E o engraçado de tudo é que a atenção ta voltada pra garota, que em partes foi vitima dessa filhadaputice toda. Realmente, ela não deveria ter deixado filmar, mas isso poderia ter acontecido até com a câmera escondida. Esse povinho hipócrita deveria apenas colocar a mão na consciência, ao invés de ficar julgando os outros... O que aconteceu com ela poderia ter acontecido com qualquer um. Todo mundo aqui trepa, tem seus desejos, fetiches, tenho certeza de que santo e recatado vcs nem chegam perto. E ser enclausurado por causa disso, por causa de uma tão banal, fazer do que se é natural uma tempestade, é a pior das escolhas. Isso só é uma prova viva de que não devemos confiar nem no prato que comemos, não da pra ficar dando corda nem pra marido, namorado (a), amigo (a) ou seja lá quem for. Agora parem de se horrorizar tanto e que se fod...” Glaucia Moraes.

Apesar dos danos causados à Fran, sua exposição serviu pra suscitar o debate sobre os crimes cibernéticos. 

“A polêmica também levantou o debate sobre a necessidade de tornar mais rígidas as leis de crimes cibernéticos. Vice-presidente da Comissão de Direito Digital da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), o advogado Rafael Maciel defende a criação de uma delegacia especializada na investigação de crimes cometidos em ambiente digital. No ano passado, após fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann vazarem na internet, uma lei foi criada no país com o nome da artista. Mas o especialista explica que a lei não protege casos em que não há invasão de computadores. Para o advogado, a legislação não acompanhou as mudanças da sociedade.” 180 graus.

Apesar de não haver lei pra criminalizar esse tipo de atitude em meio virtual, o rapaz cometeu o crime caracterizado como difamação, com base na lei Maria da Penha, porque de acordo com a delegada Ana Elisa, existiu uma relação de afeto entre vítima e autor.

Portanto, me preocupa uma sociedade que não questiona a violação à privacidade, não repudia pessoas que desrespeitam os códigos de confiança entre parceiros, ou que não pune a conduta de indivíduos que submetem a mulher a situações, tão ou mais, humilhantes e degradantes do que a exposição sofrida por Fran.

Quando a sociedade assimila a cultura machista às perdas sofridas vitimam homens e mulheres, pois perpetra a crueldade, a intolerância, o desrespeito e a estupidez.

        

 Obs: Os comentários acima, inclusive com os perfis dos autores, podem ser acessados em 180graus, na postagem:


 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Carta de repúdio ás declarações de Claudio de Moura Castro.



Após propor “um bônus para as ‘caboclinhas’ de Pernambuco e do Ceará que conseguirem se casar com os engenheiros estrangeiros, porque ai eles ficam e aumenta o capital humano no Brasil, aumenta a nossa oferta de engenheiros”, o “especialista em educação (SIC)” Cláudio de Moura Castro provocou a ira de milhares de pessoas, mormente, as integrantes de movimentos da sociedade civil e entidades. 

Indignados com a proposição, os movimentos signatários se organizaram na elaboração da carta que cobra de Castro a retratação, como também a manifestação dos parlamentares quanto ao tema. 

Claudio de Moura Castro
Cláudio de Moura e Castro - Fonte: Pragmatismo Político
O Movimento Mulheres em Luta, signatário da carta, reafirma seu repúdio a propositura do “renomado especialista” e informa que, ainda essa semana, uma representante do Movimento irá ao Ministério Público solicitar que órgão  promova ação penal contra Castro por racismo.
 
Veja carta na íntegra abaixo.

CARTA ABERTA AO SENADO FEDERALEM REPÚDIO À DECLARAÇÃO PREOCONCEITUOSADO SR. CLAÚDIO DE MOURA CASTRO

Brasil, 28 de outubro de 2013.

As entidades e os movimentos da sociedade civil que participam dos debates para a construção do novo Plano Nacional de Educação (PNE), desde a I Conae (Conferência Nacional de Educação, 2010), manifestam seu repúdio e exigem retratação pública à “proposição” desrespeitosa apresentada pelo Sr. Claudio de Moura Castro, em audiência pública realizada no dia 22 de outubro de 2013, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal.
Na ocasião, buscando reforçar seu argumento de que o PNE é inconsistente devido à participação da sociedade civil, o referido expositor sugeriu, em tom de deboche, que sua proposta ao plano seria oferecer “um bônus para as ‘caboclinhas’ de Pernambuco e do Ceará se casarem com os engenheiros estrangeiros, porque aí eles ficam e aumenta o capital humano no Brasil, aumenta a nossa oferta de engenheiros” (sic).
         Preconceituosa, a “proposição” é inadmissivelmente machista e discriminatória. Constitui-se em uma ofensa às mulheres e à educação brasileira, inclusive sugerindo a subjugação das mesmas por estrangeiros. Além disso, manifesta um preconceito regional e racial inaceitável, especialmente em uma sociedade democrática. Entendemos que a diversidade de opiniões não pode significar, de forma alguma, o desrespeito a qualquer pessoa ou grupo social.
Compreendemos, ainda, que tal manifestação representa um desrespeito ao próprio Senado Federal, como Casa Legislativa que deve ser dedicada ao profícuo debate democrático, pautado pela ética e pelo compromisso político, orientado pelos princípios da Constituição Federal de 1988 e de convenções internacionais de Direitos Humanos. A elaboração do PNE, demandado pelo Art. 214 da Carta Magna, não deve ceder à galhofa, muito menos quando preconceituosa.
Por esta razão, os signatários desta Carta esperam contar com o compromisso dos parlamentares e das parlamentares em contestar esse tipo de manifestação ofensiva aos brasileiros e às brasileiras. Nesse sentido, esperamos as devidas escusas do Sr. Claudio de Moura Castro, que com seus comentários discriminatórios desrespeitou profundamente nossa democracia e a sociedade.

Movimentos e entidades signatárias (por ordem alfabética):
ABdC (Associação Brasileira de Currículo)
Ação Educativa – Assessoria, Pesquisa e Informação
ActionAid Brasil
Aliança pela Infância
Anfope (Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação)
Anpae/DF (Associação Nacional de Política e Administração da Educação – Distrito Federal)
Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação)
Assopaes (Associação de Pais de Alunos do Espírito Santo)
Auçuba Comunicação Educação
Campanha Nacional pelo Direito à Educação
CCLF-PE (Centro de Cultura Luiz Freire – Pernambuco)
Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)
Cedes (Centro de Estudos Educação e Sociedade)
Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária)
CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino)
Escola de Gente – Comunicação e Inclusão
Fineduca (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação)
Flacso Brasil (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais)
Fojupe (Fórum das Juventudes de Pernambuco)
FOMEJA (Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos)
Fóruns de Educação de Jovens e Adultos do Brasil
Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente
Geledés – Instituto da Mulher Negra
Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos)
Instituto Avisa Lá
IPF (Instituto Paulo Freire)
Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)
Mova Brasil (Movimentos de Alfabetização de Jovens e Adultos do Brasil)
Movimento Mulheres em Luta do Ceará
MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
Omep/Brasil/RS – Novo Hamburgo (Organização Mundial Para Educação Pré-Escolar)
RedEstrado (Rede Latino-americana de Estudos Sobre Trabalho Docente)
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).
Unipop (Instituto Universidade Popular)