quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O que é misoginia?



Desde que me tornei feminista venho lidando com o termo misoginia e tentando explicar pra uma centena de pessoas o quanto esse comportamento está intimamente ligado ao machismo/patriarcado e o quanto é devastador pra nós mulheres. 
De acordo com o site Nossa Língua Portuguesa, misoginia é definida como “desprezo ou aversão às mulheres, desprezo ou aversão ao sexo e/ou ao gênero feminino. A palavra vem do grego misos (?????, "ódio") e gene (????????, "mulher").

Na tentativa de defenderem a cultura machista e incendiar as discussões sobre gênero e opressão, os machistas lançam mão do recurso de fazer uma analogia entre feminismo e machismo, afirmando que o feminismo é igual ao machismo só que beneficiando as mulheres. Não chego sequer a ter palavras para descrever o quanto é revoltante ler ou ouvir isso. Primeiro que o feminismo, definitivamente, não é uma espécie de machismo, é o antagonismo a essa cultura. Não queremos superioridade ou lutamos por oprimir os homens. Outra questão, o feminismo nunca matou ninguém. E esse é um dos resultados da cultura machista e da misoginia.
Enquanto o feminismo busca erradicar a violência contra a mulher e a opressão a misoginia e/ou machismo assassinam diariamente 15 mulheres, estupram 6 mulheres a cada hora e é responsável pela agressão de uma mulher a cada minuto (dados divulgados ainda hoje no Jornal do Meio Dia – Globo). Recentemente, um dos casos mais chocantes é que vem ocorrendo em Goiânia, onde mulheres jovens vêm sendo assassinadas banalmente pelas ruas da cidade. De acordo com informações do portal G1  Uma força-tarefa criada pra investigar os casos iniciou seus trabalhos ontem. As investigações abrangem assassinatos de 12 mulheres em Goiás. Os crimes começaram em janeiro e as circunstâncias são semelhantes.
“A força-tarefa, formada por 15 delegados e 23 agentes de polícia, tenta entender o que aconteceu na morte dessas 12 mulheres. A Polícia Civil divulgou nesta terça-feira, um vídeo que os investigadores acreditam ser da última vítima, a menina Ana Lídia, de 14 anos, indo para o ponto de ônibus onde ocorreu o último assassinato, neste fim de semana. E também o que seria a imagem do suspeito em uma moto. A principal ligação entre todos os 12 casos é que o suspeito estaria em uma moto preta. A população está com medo e marcou um manifesto para essa semana, para pedir agilidade nas investigações, por parte da polícia. A adolescente de 14 anos foi morta em um ponto de ônibus a caminho do trabalho. A família, inconformada, não entende o que aconteceu.[...] Ana Lídia foi a 12ª mulher morta por um motoqueiro este ano. O que chama atenção são as semelhanças entre os crimes: as vítimas eram jovens e bonitas, foram mortas em lugares públicos e não tiveram pertences roubados. ‘Nós temos nas investigações, pessoas com características diferentes, com motos diferentes, embora com semelhanças no modo de agir’, afirma o delegado de homicídios Murilo Polati. A maior dificuldade da polícia é a falta de imagens de câmeras de segurança no local dos crimes, que poderiam fornecer outras pistas da autoria dos assassinatos. Outro desafio é o fato de que quem matou todas essas mulheres estava sempre com o rosto protegido por um capacete.(G1)
Entenderam porque é tão ofensivo comparar o feminismo ao machismo e/ou misoginia? São assassinatos por puro ódio e sem qualquer motivação. Embora deva salientar que não há motivo que justifique o assassinato, exceto aquele que visa a preservação de uma vida que se encontre ameaçada. Portanto, somente um sistema que põe a vida da mulher como um bem do marido ou pai pode ser tolerante com os crimes dito passionais ou crimes de honra e infelizmente, a nossa sociedade é sim tolerante com o feminicídio. Doutra forma, como justificar a matança de mulheres no país por razão de gênero?
Somente de 2009 a 2011 o Brasil registrou 16. 900 ASSASSINATOS DE MULHERES, em sua imensa maioria decorrentes de casos de agressão perpetrada por parceiros íntimos. De 1980 até 2012, 100 mil mulheres foram brutalmente assassinadas no país. O equivalente a 2, 3, ou 4 vezes a população de uma cidade do interior. Estamos falando de um verdadeiro genocídio. Então que nenhum machista ignorante me venha com história de que o feminismo guarda alguma semelhança com o machismo ou que as feministas são mulheres amargas, loucas ou coisas do tipo porque minha paciência está bem curta pra lidar com opressor. Vivemos num sistema machista, opressor, genocida sim e vivemos sob a sombra do medo sim. Medo de termos nossos corpos violados, medo do julgamento da sociedade quanto a nossa sexualidade, idoneidade, caráter e outras questões que não dizem a nosso respeito mas que no final das contas define, dentro dos padrões “éticos” machista, quem nós somos. Sem contar que vivemos constantemente com o receio de estar dormindo com o nosso próprio assassino.







2 comentários:

Célia Rodrigues disse...

É amiga Ana entendo e sinto a mesma inquietação sua, em relação a esse "ranço" machista/patriarcal, que predomina nas bases da educação intra familiar... Comparar feminismo com machismo, só reforça o não entendimento às lutas e mais lutas, por igualdade de gênero, que se arrastam ao longo de décadas!!
Ou mudamos a cultura comportamental, ou teremos que nos munir de forças ainda mais, para desconstruí-la...

Ana Eufrázio disse...

Obrigada pela contribuição querida Célia.