segunda-feira, 16 de março de 2015

Poliamor não me contempla



Resultado de imagem para imagens de poliamorPor Laura Elisa 
Eu, sinceramente, desafio vocês a me convencerem que essa história de poliamor me contempla.
Eu desafio vocês a convidarem para desconstruir a monogamia uma mulher que nunca teve direito à ela.
Eu desafio vocês a irem falar sobre não-monogamia para uma mulher negra, pra uma mulher gorda, para uma mulher trans, pra uma mulher com deficiência.
Resultado de imagem para imagens de poliamorEu desafio vocês a ir falar pra uma mulher que está presa a um relacionamento abusivo, que é traída pelo marido, mas que não pode sair de casa por causa dos filhos, por que depende economicamente do marido, eu desafio vocês a ir lá trocar uma ideia com ela sobre flexibilização de fidelidade, sobre amor livre.
Eu desafio vocês a ir falar para uma travesti periférica que se prostitui que ela tem que "desconstruir o amor romântico".
Eu desafio vocês a convencer uma mulher que é estuprada sistematicamente pelo marido dentro de casa, que contraiu uma DST desse marido revolucionário sexualmente livre que "Ninguém devia se importar com quem o parceiro faz sexo".
Resultado de imagem para imagens de poliamorÉ muito fácil de dentro da sua bolha branca, magra, com acesso à informação e economicamente privilegiada vir pregar uma não-monogamia branca rosada e com sardas, porque é assim que é esse rolê e vocês sabem, mas nem ligam. 
Resultado de imagem para imagens de poliamorVocês não ligam se a não-padrão é a que vai estar sempre sozinha na sua mesa de bar cheio de casalzinho. Vocês não ligam se a gente sobra e sempre sobrará nessa ciranda festiva do mais-amor-por-favor.
Vocês não se importam.
Resultado de imagem para imagens de poliamorEsse discurso poliamoroso não deixa de reproduzir dentro dele todas as opressões estruturais que já existem. Quem já não é vista como socialmente aceitável para uma monogamia, será também preterida numa não-monogamia. Com a diferença de que agora a convenceram de que isso é normal, de que ela não pode fazer cobranças, que ela não pode estar sofrendo o que sofre porque ela concordou com esse tipo de relação. Daí eu te pergunto o que tem de revolucionário num homem "desconstruir a monogamia" se isso pra ele já é e sempre foi um direito? Para o homem trair é normal. O homem com mais de uma mulher é normal. A mulher é obrigada a aceitar porque "homem é assim mesmo".
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E, no final, o que isso tudo acaba gerando é uma justificativa pra esse homem fazer o que sempre fez e agora se apoiar num discurso super engajado de paz, amor e liberdade. Os homens vão se apoiar nesse discurso para continuar usando mulheres como eles sempre bem fizeram ou do mesmo jeito que subvertem o sentido da liberdade sexual da mulher.
A verdade é que se você não é padrão, vão passar uma vida te tratando como lixo. Vão fazer com que você custe a, um dia talvez, acreditar que é digna do amor de alguém. Vão roubar para sempre sua autoestima, vocês vai ter que reconstruí-la todo dia. Diariamente, quando você acordar e se olhar no espelho vai ter que se convencer que você vale a pena, mesmo que tudo, o tempo todo te diga o contrário.
Resultado de imagem para imagens de poliamorVão te roubar a possibilidade de construir relacionamentos saudáveis e depois ainda vão tentar te culpar pela sua insegurança. Vão reduzir tudo que te provocaram numa palavra simples e curta: ciúmes. E vão deixar toda a responsabilidade de lidar com esse "ciúme" nas suas costas. E não esqueça que ciúmes de mulher será sempre um exagero, sempre uma paranoia, uma divagação.
Quer viver uma relação não monogâmica? Parabéns! Nossa, um minuto de silêncio pra você! Só não me venha me dizer "Ninguém devia se importar com quem o parceiro faz sexo". Não me venha falar para mim como você se sente, porque eu não sou você. Quem pode querer não se importar? Quem tem esse privilégio? Que mulher tem esse privilégio?
Resultado de imagem para imagens de poliamorVocês não interseccionam, vocês só falam do umbigo de vocês e banalizam o que as outras sentem e ainda vem me falar de sororidade. Acontece que eu tô cansada de falar de vocês, de fazer um feminismo branco, um feminismo que universaliza a condição de mulher tomando como base a mulher branca.
A demonstração pública de afeto será do padrão, o relacionamento abusivo será da preta.
A monogamia e a não-monogamia serão privilégio de quem se enquadra no padrão. O amor escondido será da preta.
Sem mais.

31 comentários:

Luciano disse...

Questão bem controvertida, porém importante.
Isso me faz remontar ao período em que Adultério era crime, na verdade, crime mesmo era a INFIDELIDADE FEMININA, pois homens podem variar, podem dar ao luxo de aflorar o seu lado animalesco.
Quanto ao mulher, ela precisa seguir a dupla moral, eu não posso, porém ele;sim!
Acredito na liberdade de escolhas e se a mulher - negra, índia ou branca - se sentir confortável e afim de manter uma relação poliamorosa, não vejo problema.
Não apoio o protagonismo do homem em se valer do Poliamor como pretexo para dar continuidade a seu caráter sexual contingente e opressor.
Pois a sexualidade da mulher pertence a ela e a mais ninguém.

Anónimo disse...

A ideia de uma relação poliamorosa (E qualquer outro tipo de relação) e ter confianza, sinceridade e igualdade entre os parceiros.
Obvio que uma mulher que e estuprada pelo marido não vai ter muito jeito de ter isso, mas não porque o poliamor seja uma mentira... E porque ela e a escrava de um monstro.
Um parceiro que trai, que transa com outras pessoas sem camisinha, que te bate, que te estupra ou qualquer coisa das que você falou, e um filho da p de qualquer jeito.
Então tal vez o titulo do seu post deveria ser "o amor não me contempla". Porque os motivos que você numerou são um problema para qualquer tipo de relação.
Um travesti da periferia será discriminado na monogamia, no poliamor e na solidão.
Então o problema não e com o poliamor. O problema e o machismo... o racismo... a discriminação e a ignorancia.

Belisa disse...

Ana, já leu sobre como o "amor livre" dos hippies dos anos 70 eram livres só pra homens? Como ele só serviu pra tirar, de novo, o peso da prole dos ombros dos machos? É uma leitura interessante pra complementar o texto ou então fazer um inteiro sobre.

Fabiola R. disse...

Eu sou uma mulher homossexual soropositiva que foi infectada num estupro por um cara hétero. Quando eu falei com algumas pessoas sobre Poliamor, elas disseram que eu deveria pensar em não infectar mais de uma pessoa por vez. Ok. Obrigada.

Anónimo disse...

Oi!
Concordo com muitas coisas que você falou, porém jamais vi ninguém justificar abuso com "poliamor", na verdade, já vi muitos pessoas que se encaixam na condição de agressor taxarem ele como "safadeza".
O poliamor diz respeito a igualdade mesmo, como falaram aqui em cima, é muita confiança. Eu faço parte de um desses grupos "periféricos" que você cita no texto e sou poliamor. As pessoas com quem me relacionei não eram e, por respeito, não mantinha outros "casos". A ideia de que os homens sempre vão ser a favor e a mulher sempre se prejudicar é meio errada da sua parte. Pra mim o poliamor não é a oposição ao amor romântico, ele afronta muito mais uma questão capitalista da propriedade. Eu não pertenço a ninguém, logo, não podem me monopolizar. O fato de não ter "ciúmes" de alguém, que geralmente é uma questão que pega muito pra isso, é mais um desprendimento material dos corpos do que outra coisa. Acho totalmente cabível que alguém sinta o "amor romântico" por mais de uma pessoa - ou tipos diferentes de amores por diferentes indivíduos - e, portanto, queira ter mais de um relacionamento.
Minha visão é sim um pouco "idealista" e "romântica", porém foi assim que consegui me expressar.

Cíndel disse...

Eu SOU NEGRA e vivo em um Poliamor. Entenda, Poliamor NÃO é para todas as pessoas, são pouquíssimas as que vão se enquadrar/entender/gostar desse tipo de relacionamento e isso NÃO tem a ver com o fato da pessoa ser negra, branca, classe média ou pobre. Sou negra e pobre e vivo um poliamor.

Anónimo disse...

O texto é muito bom, mas só fala do relacionamento poliamor hétero. Faltou o lésbico por exemplo. Penso que, de fato, o poliamor não é pra todo mundo. Não é pra mim. Prefiro a monogamia, o compartilhar a vida a duas. Penso que o poliamor é uma roupagem nova para uma prática antiga chamado poligamia e não consigo ver saúde nessa prática.

Anónimo disse...

Texto super interessante, concluo a leitura entendendo que a promiscuidade, e a bigamia apenas estão mudando de nome.

Gabriela Mattos disse...

Achei o post preconceituoso. Acho que as pessoas têm o direito de ser feliz como quiser, sem julgamento. E você não tem nada a ver com isso! Ninguém vai te obrigar a nada! E cabe a você escolher um parceiro que se adeque ao seu estilo. Conheço muita gente com casamento aberto e são felizes. Me pareceu mais um discurso moralista. Por favor, "mais amor", digo eu. Que toda forma de amor seja bem-vinda! E menos drama e moralismo barato! Beijos.

Natalia disse...

Eu queria abrir espaço pra um debate fraterno apesar de me parece que um debate com essa característica anda cada vez mais difícil. mas vai aí:
Outro dia conversava com uma amiga sobre como é atrasada a vida nos países dependentes como o nosso. e me referia justamente ao fato (e usei essas palavras) de que precisávamos ainda lutar pelo direito ao casamento do povo LGBT quando deveríamos estar lutando pelo direito a poligamia.
A minha discussão quanto ao poliamor( ou não amor, simplesmente diversão),tinha justamente a ver com o direito de liberação feminina, pois está claro que no patriarcalismo a liberdade de amar a quem que quiser (ou de transar com quem quiser) sempre foi exclusiva aos homens... as mulheres negras, nem se fala,não pode sequer pensar em liberdade seres convertidos em mercadorias, vendidas, trocadas, escravizadas como foram as negras desde que pisaram nessa terra.
A importância desse debate inclui não só o direito de amar a quem quiser, mas ao direito de não amar ninguém, o direito de não ser agredido por que você ama ou por qualquer homem que seja. E de fato, não vejo nas periferias, entre as mulheres trabalhadoras que comigo convivem um sentimento de libertação, ou o exercício da sua sexualidade sem pena de ser taxada, enquadrada ou sujeita a própria justificação da violência (essa mulher usou roupa curta, tava na rua a essa hora, tava pedindo pra ser estuprada)e digo isso como um todo, esse é um sofrimento das mulheres independente da etnia, mesmo sabendo que a mulheres negras carregam o sobrepeso do racismo. Bem diferente das mulheres burguesas. essas, que viajam pelo mundo, que não precisam acordar cedo pra trabalhar, que não pegam onibus com um sujeito roçando sua bunda, que não sentem medo de serem estupradas numa rua escura...essas sim, pegam quem quiser, pagam um hotel discreto pro amante, pagam o amante, pagam pela liberdade....as mulheres burguesas fazem isso, novamente independente da etnia...sabe, dizendo isso, novamente sinto o peso de estar num país dependente e atrasado..num país que corta da educação e da saúde pra gastar e juros da dívida não consegue identificar suas contradições mais profundas....sempre me pareceu que o que o gênero uniu a classe dividiu, e é justamente entre esse segmento de mulheres, as mulheres trabalhadoras, que deveríamos combater o racismo, combater o machismo, criar a tal sororidade, porque isso nos impede de criar uma unidade entre nós que somos exploradas, que nos anulamos pelos nossos filhos, que aceitamos a liberdade masculina sem se quer cogitar a discussão da nossa própria libertação...somos exploradas e oprimidas e ainda assim incapazes de dar as mãos. não entendo... não entendo a contradição de falar de liberdade para aquelas que mais sofrem com a opressão

Anónimo disse...

cara, são tantas generalizações e preconceitos nesse texto, ta osso!

IEU MSM disse...

Penso que Voltaire disse "Nao concordo com uma palavra que você disse, mas defendo até a morte o teu direito de dize- las", sobre divergência ideologia, não para ofenças, todo préconceito deve ser combatido, primeiro que o conceito de poliamor não diz respeito a um HOMEM e mulheres e sim entre pessoas e de comum acordo, ai sim se encaixa o pensamento do filosofo, "não concordo nem teria um relacionamento desse" mas RESPEITO o que você faz, ai vão dizer, "e quando meus filhos verem, o que vou falar", pros meus, sempre falo a verdade, sempre há varias formas de se fazer a mesma coisa, inclusive formatos de relações,da mesma forma que quem é adepto não pode querer que todos embarquem juntos, quem não concorda não tem o direito de dizer que é errado, vim de uma familia matriarcal, com isso tive o previlégio de conhecer melhor esse ser chamado MULHER, em minhas raizes estão impregnados o respeito, o amor e tolerância, sou avesso a qualquer violência gratuita, incluido apontar o dedo para uma mulher com dois homens e dizer que tal relação é um absurdo.
Precisamos parar de nos colocar no centro de tudo e defender direito para grupos, e sim exigir igualdade, não há como negar a descrepancia no numero de violência domestica contra mulher e contra homens, mas temos que banir a violência doméstica de modo geral, não só contra a mulher, sou pai de 3 filhos e toda vez que preciso sair só com a caçula de 1ano e 7 meses, mas saio só com ela desde os 6 meses +ou-, sou indagado por mulheres sobre KD A MÃE DESSA BB, e o pior, por mulheres, no ultimo epsódio foi em um hospital, onde a maioria eram mulheres só com sua cria, assim como eu estava com a minha, mas tentavam fazer parecer que eu estava errado, eu SÓ estava fazendo minha obrigação de pai, deixei minha esposa em casa dormindo, ela passou a noite levantando pra ver nossa filha, eu não fiz nenhum absurdo nem favor, onde foi parar o respeito nesse caso, quando aprendermos a respeitar até as difenças, viveremos em uma sociedade muito melhor e feliz, pois com respeito sendo soberano, ninguem mas precisará se auto oprimir pra não reber opressão.

Respeito acima de tudo.

Ana Eufrázio disse...

Enquanto redatora do blog sinto-me bastante feliz com a diversidade de opiniões comentadas nesse post. Também me deixa feliz saber que existem mulheres na mesma condição que a autora do texto e que percebem o poliamor por uma ótica diferente. Gostaria de colocar primeiramente que não sou a autora do texto. Através dele quis dá voz a uma mulher negra que vivencia uma situação que eu, enquanto não negra, não experimento. Aliás, até bem pouco tempo eu sequer sabia da existência da solidão da mulher negra, é um assunto muito interessante a ser pesquisado (fica como sugestão). Como falei anteriormente essa é a voz de uma mulher negra que foi confrontada reiteradamente a adotar o poliamor e aceita-lo como uma forma irrefutável de liberdade sexual. A partir de suas vivências ela refuta essa imposição e se manifesta acrescentando suas percepções. Então, mesmo vivendo uma situação diferente de Laura Elisa, a autora do texto, concordo em parte com suas colocações, quanto a outras me eximo de tecer comentários porque não posso falar de uma realidade que não vivencio. Posteriormente publicarei os motivos que me levaram a não adotar o poliamor na minha relação com meu companheiro.
Bem, o que é importante ressaltar é que não houve intenção alguma em definir que tipo de relação cada pessoa deve adotar com seu parceiro ou parceira. A intenção aqui é mostrar o ponto de vista de alguém que não acha que o poliamor, na sociedade como a nossa ou na sua condição, seja uma forma de amor revolucionária ou a única expressão de liberdade sexual. Eu concordo perfeitamente que a monogamia é um sistema de posse e que toda relação, a princípio, é aberta (mesmo que ambos não declarem essa condição). Mesmo assim, acho que existe uma série de questões que precisam ser bem trabalhadas entre os casais adotam o poliamor para que ele possa ser verdadeiramente ser justo libertador para as mulheres.

Rodolfo Rocha disse...

Fabiola mande essas pessoas tomarem no butico, pois hoje você pode inserir seus parceiros no PREP (Truvada), usar preservativos, usar o PEP, e se sua contagem de virus no sangue estiver indetectável as chances de você contaminar outra pessoa são muito baixas, até pelo fato de você ser mulher. Mande um beijo pra ignorância alheia e viva!

Anónimo disse...

engraçado como pessoas defendem os relacionamentos homoafetivos e condenam o poliamor.... quem é o preconceituoso?

Anónimo disse...

Dou aula para uma gurizada que é pobre e no máximo classe média baixa, e tenho visto elas experimentarem relações abertas, apesar do preconceito assumirem sua homo-afetividade as vezes poligâmica, outras não...
É lógico que o poliamor amor é mais fácil para os homens ao qual na sua socialização não tiveram a cobrança da monogamia, mas tem que haver a desconstrução por parte dele caso contrário não rola, é evidente que também para mulher tem que haver uma desconstrução para que não se submeta a algo que não está a fim.

Anónimo disse...

Mesmo não sendo negra, sendo feminista branca e com uma penca de privilégios, o texto me contemplou, porque eu sempre critiquei a questão do poliamor branco classe média. Vai levar o seu discurso pra quem nunca teve direito à monogamia, amiga.

É feminista querendo reforçar poliamor, é feminista ofendendo vc se usa absorvente e não usa o copinho. OLHA, tá difícil esse rolê.

Anónimo disse...

Tem que haver desconstrução de uma cacetada de coisa referente à monogamia, mas no fim não há porque obrigar poliamor, nem levar discurso baseado em privilégios. A solidão da mulher negra, da gorda, de qualquer mulher fora do padrão nunca será contemplada por esse poliamor ~fofo~ da classe média branca com direito a tudo. É fácil, muito fácil, ficar falando que a gente tem que desconstruir monogamia com gente que nunca teve direito a isso, com gente despedaçada por parceiros abusivos, com gente que acaba recebendo migalhas de afeto e atenção.

Na boa, enfiem o poliamor no cu cada vez que tentem empurrar esse discursinho em alguém.

Maíra Óculos disse...

Realmente, muito bom o texto. em alguns meios, caso vocês diga que é monogâmica e que não teria uma relação poliamorosa acaba sendo vista como alguém 'careta' ou 'ultrapassado'. Não tenho nenhum problema com o Poliamor, não acho errado nem imoral e acho que os preconceitos que ainda existem com isso deveriam acabar. O que eu vejo como um problema é que em alguns círculos o Poliamor é pregado como se fosse algo que funciona para todos e para qualquer um, tendo a monogamia como contraponto reacionário. E é fato que mulheres fora do padrão têm mais dificuldade, tanto na monogamia quanto em um possível Poliamor.

Curumim disse...

gente, quem quer enfiar goela abaixo o discurso de poliamor? aonde, em qq midia, tem gente dizendo isto? aonde vcs escutam que poliamor é para todos? alguém diz que a homossexualidade é para todos? alguém por aí acha que traição masculina é sinonimo de poliamor? sexo forçado, beijo roubado, assedio velado e tantas atrocidades cometidas pela sociedade machista não podem ser equiparados à práticas sexuais e amorosas CONSENSUAIS.... e quando dizemos consensuais, quer dizer, aceito pelos participantes... fica difícil de avançar na discussão das liberdades individuais (de quem quer que seja, preto, branco, homem, mulher, hetero, homo, pobre, rico) quando ainda temos minorias apartadas, ou maiorias segmentadas por visões individualistas... se todos lutassemos juntos, pelos direitos coletivos e liberdades individuais, aí sim faríamos mais diferença...

guilherme kamphorst disse...

Varios pontos de vista. Ficou muito bom colocado o texto. Como homem branco e gordo percebo que o poliamor é uma opção que muitos dos homens deveriam aderir pois sentem vontade de ter relações com mais de uma pessoa, porem por questoes de ego e machismo nao aceitam que suas companheiras tenham o mesmo direito, por todo aquele sentimento de posse, superar expectativas sociais e etc... mas enfim um dia a galera abre a cabeça. Muito legal a colocação galera! Macacogalactico.blogspot.com

Anónimo disse...

só uma dica: as pessoas não se limitam á orgãos sexuais.O comentário do sujeito que disse que "homem tem vontade de transar com mais de uma pessoa" francamente,nos vê como?? Poliamor só reforça essa idéia que somos b* ambulantes e que relacionamentos são só sexo.

E mais,só feminista comprometida com homens é que prega uma bosta dessas,eu nunca vi uma mulher querer fazer parte de um harém.Poliamor é mais uma "liberdade" pregada pela p* do patriarcado,uma lição de como ser objeto sexual para os homens.Olhem em volta e vejam quantos homens defendem poliamor,quantos homens viram "feministas" por causa dessa m*,e tudo sendo considerado "opinião".Agora nossa opressão é opinião??

farta dessa &¨$%$#@ pseudo-libetária.

Julio Carlos disse...

Assisti ontem no programa da Luciana Gimenez o casal fada trisal, que tem uma relação a três. Eu sou heterogoy e fiquei interessado, mas logo vi que não tinha nada a ver. O dito trisal (nada mais que um novo nome para ménage...), na verdade não era um "poliamor", era nada mais que um casal swinger que busca parceiros fixos ou mais duradouros.

Claramente existia um casal fixo - o rockeiro cabeludo e a gata, o casal entrou em crise quase se separou, e para fugir do divórcio, testaram o conceito mais machista e óbvio do mundo, vamos ficar com mais uma mulher - deu certo por um tempo, e agora a menina cobrou a parte dela e vivem agora uma relação a três com um homem. Logo o casal, vai inventar uma nova "aventura" e esse terceiro elemento será descartado.

Isso é poliamor? Ou uma relação tradicional do swing que se abre a um terceiro temporariamente (mesmo que por um tempo maior e para mim não se abriu para o amor... mas sim apenas para o sexo e com o objetivo que não venha cair na rotina...)

Bem, voltando ao assunto, sou heterogoy, não teria ciúmes de um brother chegar junto comigo e minha esposa, mas minha esposa não suporta essa ideia, e eu a respeito. Por outro lado na cabeça dela, o homo erotismo não é traição e assim estamos tudo certo, acho que não vamos testar essa coisa de poliamor, não caberia no nosso caso.

Felipi Freo disse...

Só li limites nesse post. A pessoa pega o prisma da própria vida e transforma em regra e se alguém falar que fez e deu certo é porque está sendo enganado por um sistema.
Todo argumento é generalizado e não fala onde está o machismo no poliamor entre três mulheres. Sinceramente, é tanta falta de estrutura que nem sei porque estou comentando isso.

Anónimo disse...

Você coloca as mulheres negras como vítima, pois vou te dizer uma coisa, sou negra casada na igreja e tudo (olha só) com um branco e em anos de relacionento nunca soube de nenhuma traição dele, não sou pobre, não pago de vítima e de coitada pela minha cor, me acho linda. Tenho auto-estima, entao nao venha me vitimizar por minha cor, não precisamos disso.

Ana Eufrázio disse...

Reproduzindo para quem ainda não leu:

Enquanto redatora do blog sinto-me bastante feliz com a diversidade de opiniões comentadas nesse post. Também me deixa feliz saber que existem mulheres na mesma condição que a autora do texto e que percebem o poliamor por uma ótica diferente. Gostaria de colocar primeiramente que não sou a autora do texto. Através dele quis dá voz a uma mulher negra que vivencia uma situação que eu, enquanto não negra, não experimento. Aliás, até bem pouco tempo eu sequer sabia da existência da solidão da mulher negra, é um assunto muito interessante a ser pesquisado (fica como sugestão). Como falei anteriormente essa é a voz de uma mulher negra que foi confrontada reiteradamente a adotar o poliamor e aceita-lo como uma forma irrefutável de liberdade sexual. A partir de suas vivências ela refuta essa imposição e se manifesta acrescentando suas percepções. Então, mesmo vivendo uma situação diferente de Laura Elisa, a autora do texto, concordo em parte com suas colocações, quanto a outras me eximo de tecer comentários porque não posso falar de uma realidade que não vivencio. Posteriormente publicarei os motivos que me levaram a não adotar o poliamor na minha relação com meu companheiro.
Bem, o que é importante ressaltar é que não houve intenção alguma em definir que tipo de relação cada pessoa deve adotar com seu parceiro ou parceira. A intenção aqui é mostrar o ponto de vista de alguém que não acha que o poliamor, na sociedade como a nossa ou na sua condição, seja uma forma de amor revolucionária ou a única expressão de liberdade sexual. Eu concordo perfeitamente que a monogamia é um sistema de posse e que toda relação, a princípio, é aberta (mesmo que ambos não declarem essa condição). Mesmo assim, acho que existe uma série de questões que precisam ser bem trabalhadas entre os casais adotam o poliamor para que ele possa ser verdadeiramente ser justo libertador para as mulheres.

Yuki Haramada disse...

Eu não sou rica , eu não sou magra , eu sou trans, eu não negra mas sou asiática e sou alvo de xenofobia desde a infância, e acredito no poliamor , estou em um relacionamento livre que dá muito certo.

Yuki Haramada disse...

Eu não sou rica , eu não sou magra , eu sou trans, eu não negra mas sou asiática e sou alvo de xenofobia desde a infância, e acredito no poliamor , estou em um relacionamento livre que dá muito certo.

J. Way disse...

Gente... O texto explica porque relações poliamorosas são estruturalmente "vantajosas" para homens e o porquê de ser difícil de processar e assumir uma relação dessas quando você faz parte de um grupo minoritário. Em não li um parágrafo sequer que dissesse "você não pode assumir uma relação poliamorosa". E aí MIL comentários como "eu sou gorda e vivo um poliamor" ou "eu sou negra e vivo um poliamor" QUE BOM QUE DEU CERTO PRA VOCÊ, mas não vamos nos esquecer que experiências individuais não podem e não devem nunca servir de parâmetro para questões que envolvem grupos inteiros. Não é nem um pouco diferente daquele cara que "AH MAS NEM TODO HOMEM...", entenderam?

Anónimo disse...

A maioria dos comentários acima perderam completamente o sentido do texto, que pretende confrontar os brancos de classe média com seu privilégio, mas enfim... White tears, as usually. Vamos desconstruir mas não vamos cair na demagogia, gente! A maioria dos textos acerca de poliamor estão repletos de generalizações, também, entre elas: "monogamia não é natural". Isso parece quase aquele discurso heteronormativo de que "homossexualidade não é natural". Novidade: no reino animal existem animais com práticas homossexuais e outros com práticas monogámicas (por exemplo os Pinguins que têm o mesmo companheiro a vida inteira). Se as pessoas querem estar numa relação com várias e isso as faz feliz, ótimo para elas. Mas se uma pessoa quer estar numa relação com outra (1) pessoa, e é feliz, ótimo também. Por vezes, esses discursos caem no "contra" só para ser do "contra", de "ai eu sou tão pós-moderno, pós-liberal..." whatever. Não é porque um relacionamento é monogâmico que é abusivo, controlador ou possessivo. Eu estou há 3 anos com a mesma pessoa e nunca senti desejo sexual por outras, nem existe ciúmes ou controlo nessa relação, simplesmente porque estamos nessa relação por causa de cada um ser quem é, não porque não nos sentimos sozinhos e precisamos de "ter alguém ali", que é o que acontece com a maioria dos relacionamento atuais. Isso vai de cada pessoa: parem de impingir modelos de relacionamento aos outros! Assim como não é por ser poliamoroso que vai ser a melhor coisa do mundo. A minha opinião é que as pessoas não conseguem viver com elas próprias e plasmam imensas expectativas em relacionamentos. Isso é um velho clichê mas é verdade, se você não for bem resolvido consigo mesmo, nunca vai fazer outra pessoa feliz, tanto numa relação monogâmica quer numa poliamorosa. Aprenda a viver sozinho antes de entrar em relações.

Anónimo disse...

Sou mulher, branca, hetero, porém feminista, empoderada. Alguns dizem que sou abusada e mal educada mesmo hahahaha (adoro!) o que soa como um elogio para mim. Compreendo tudo o que foi escrito pois é bem isso mesmo. Sou poligâmica enrustida, nunca fui fiel, jamais seria fiel em um relacionamento sério, só finjo pois nenhum homem merece fidelidade. Sacaneio mesmo! Mas me faço de santa e cobro fidelidade masculina com todo o sangue da minha alma, sou muito passional e faço bastante drama com isso. Se me trair armo um escarcéu, deixo sem sexo e vou transar com outros, de preferência vou transar com o pior inimigo de quem me traiu. O traidor já está estragado saindo com outras mesmo, então o pior castigo é nunca mais voltar a me ter novamente, nunca mais voltar a me tocar. Sou egoísta e injusta sim, graças a Deus, mas é tudo culpa dos homens que não tem caráter e merecem minha maldade! Nesse mundo injusto e patriarcal a mulher não tem que ser boazinha com ninguém! Para igualar as condições é necessário ser má! Não tomo pílula, jamais usaria qualquer tipo de DIU e só faço sexo com camisinha. Empacoto mesmo o bambu desses otários fdp. Não deixaria de usar camisinha nem casando, eles falam em exame para detectar DSTs mas não sou burra, sei que exame não protege, SÓ A CAMISINHA PARA ME PROTEGER DESSES CRETINOS! É isso, estou aqui para dar a minha força para esse texto pois só disse verdades.