A
confissão verdadeira, intensa e marcante expondo o lado cruel da maternidade
compulsória levou Luciana a sofrer uma intensa hostilização nas redes sociais, ser
denunciada e bloqueada por um mês pelo site Facebook. Depois de todas as agressões
que sofreu por conta de sua posição favorável ao direito de escolha das
mulheres Luciana escreveu o desabafo que pode ser lido abaixo.
“É
muito fácil ser pró vida contra o aborto mas ser pró vida e ter respeito e
empatia pela vida alheia, não...
O intuito do meu post era dizer que toda pessoa tem direito de optar pelo o que quer fazer com o próprio corpo, não criei aquele post pregando o nazismo e mandando todo mundo abortar...
O intuito dele era combater essa campanha de desinformação que muitas mulheres pró vida estão criando no Facebook, promovendo ignorância e criminalização de outras mulheres...
Se
você escolhe seus parceiros, se você usa roupa curta, se você faz qualquer
coisa com seu corpo e exige respeito por isso e luta pelo direito de assim
fazer, não deveria se dizer pró vida julgando como criminosas as outras mulheres
quando elas mesmas não podem optar pela própria vida ou decidir o que fazer com
o próprio corpo...
Ocorre exatamente quando um homem quer o seu corpo e não te permite escolher se você também o quer ou não. Não ter o direito de optar é uma violação do seu direito vital de gerenciar a própria vida, do seu direito de, enquanto cidadã, exercer ou não a maternidade... Não se trata de aborto [...] se trata de autonomia do ser, no caso, da mulher...
Ocorre exatamente quando um homem quer o seu corpo e não te permite escolher se você também o quer ou não. Não ter o direito de optar é uma violação do seu direito vital de gerenciar a própria vida, do seu direito de, enquanto cidadã, exercer ou não a maternidade... Não se trata de aborto [...] se trata de autonomia do ser, no caso, da mulher...
Vinculado ao coro de outras mulheres que reproduzem o discurso machista, com mentalidades retrógradas e ignorantes que lutam a favor da permanência da criminalização de algo que nos deixa ainda mais presas ao sistema patriarcal e capitalista e bem longe duma realidade de liberdade total sobre si mesma...
Não consigo acreditar que muitas mulheres comentaram algo como "bem feito,
quem mandou transar", como se elas estivessem longe de passar por isso...
Não, vocês não estão isentas de passarem por isso, pois muitas mulheres
casadas, engravidam tomando pílula ou qualquer uma está sujeita a ter uma
camisinha estourada e de repente se vê numa situação de gravidez indesejada...
Isso pode acontecer com qualquer mulher, aos 14 anos, aos 25, aos 30, não importa a idade, o estado civil ou classe social...
Isso pode acontecer com qualquer mulher, aos 14 anos, aos 25, aos 30, não importa a idade, o estado civil ou classe social...
Condenar uma mulher que consensualmente teve uma relação sexual mas que não quer assumir uma gravidez indesejada, precoce ou não, só mostra o paradoxo da sociedade doente e deturpada que vivemos. Uma sociedade em que as mulheres que abominam estupro, por ser algo que não é algo indesejável e que viola a liberdade e autonomia sobre o próprio corpo, acabam sendo exatamente as mesmas que viram no meu relato, de uma gravidez forçada, um " bem feito", "tem que aprender a deixar de ser besta", " quem mandou abrir as pernas" e denunciaram a foto por violência explicita...
Essa propagação de ignorância, machismo e preconceito, além do desejo de permanência da criminalização de mulheres que ainda são vistas como "assassinas" quando optam clandestinamente pela autonomia do próprio corpo, tem que acabar...
E se for preciso publico quantas vezes achar pertinente a foto que enaltece a “violência explicita” da ignorância de vocês. .
Beijos de luz!!!
(Luciana
Campos Rodrigues)
Nada
numa sociedade machista parece fazer sentido. Exceto o abuso de mulheres, a violência
contra as mulheres, o sofrimento das mulheres e as dores que a elas são
impingidas. Qualquer a agressão às mulheres fazem muito sentido. Porque nas
sociedades patriarcais nós merecemos, nós provocamos... Nesse sistema a maternidade
não é uma escolha.
Eu
não tolero a tremenda hipocrisia das pessoas que veem num embrião, que a
depender do estágio de gestação não difere do embrião de qualquer outro mamífero,
uma criança a ser protegida, mas que sequer é capaz de baixar o vidro do carro
para dizer um “não” cordialmente a criança pedinte ou que trabalha limpando
vidro de carros.
Vida
a ser protegida é de Luciana que foi sistematicamente espancada pelo pai, pelo
marido e que a sociedade lhe virou a cara todas as vezes que precisou de pelo
menos uma palavra de consolo. Vida a ser protegida é de uma mulher que sabe que
não tem condições de levar adiante a gravidez e que, irremediavelmente, decide
pelo aborto clandestino. Vidas que precisam ser protegidas são as de milhares de
crianças nos orfanatos e de outros milhares de crianças na rua se drogando,
sendo abusadas e exploradas sexualmente nas ruas. Vidas que precisam ser salvas
são das crianças trabalhando em carvoarias, em lixões, em confecções
clandestinas ou aquelas que reiteradamente estão sendo violentadas pelos pais...
4 comentários:
Sinto em te dizer, mas essa Luciana Rodrigues (vulgo Ana Bolena), é uma mitomaniaca muito conhecida nas redes sociais. Ela foi mãe aos 14, mas o resto da história é pura mentira.
Ana Bolena tem estórias tão mirabolantes quanto as de Chicó - de O Alto da Compadecida. Só não se sabe se ela mente por amor a arte ou por maldade mesmo.
Então, num pague mico fazendo post pra essa mulher não!
Assino embaixo os comentários acima, tudo verdade!
A história de vida de Luciana pode ser fictícia ou mentirosa, mas o insultos que ela sofreu foram reais, eu os vi. Também foram reais os insultos que recebi quando cedi uma entrevista para o jornal O Dia falando sobre o aborto que fiz quando fui estuprada. A maternidade é compulsória para mulher independente das circunstâncias da gravidez. A sociedade continua punindo as mulheres seja ela sincera ou mentirosa, jovem ou idosa, casada ou solteira por contam da sua sexualidade. Vivemos sim numa sociedade misógina e sendo punidas cotidianamente pelo simples fato de sermos mulheres.
Enviar um comentário