domingo, 11 de maio de 2014

Nem todas as mães são iguais



De dois anos pra cá meu marido e eu temos conversado sobre a possibilidade de ter um filho. Confesso que não me sinto muito animada com a possibilidade, penso em muitas coisas como a perda de liberdade, o trabalho pra cuidar e educar, as despesas, a camisola folgada e o andar curvada com os peitos cheios de leite logo depois do parto... Enfim, uma porção de coisas que se a gente for pensar muito a acabamos por não encarar a maternidade. Sem falar que me acho jovem demais pra ser mãe e que isso pode atrapalhar meu desenvolvimento, afinal eu mal fiz 40 anos. Mas, contudo, entretanto, vi um depoimento que me deixou com um baita instinto maternal, se é que esse instinto de fato existe.
Estava “folheando” o Facebook quando me deparei com uma linda história que me fez esquecer uma porção de coisas e me focar no quão prazerosa pode ser maternar, bem como a relação de mãe e filha entre várias gerações. Fiquei encantada com o relato sobre como é ser mãe, feminista, jovem, solteira e sem se enquadrar nos padrões considerados desejáveis para uma sociedade extremamente preconceituosa.
Carolina Loyola Gimenez é uma linda mãe de 25 anos, tatuada pelo corpo inteiro, feminista e paulista.

Sou mãe de uma menina de 3 anos
Ontem fui á reunião da escolinha dela, ela está no Jardim 1, constantemente recebo olhares de outras mães e pais devido ao meu visual "chamativo", tenho tatuagens bem visíveis, piercing e uso as roupas que gosto sem medo dos julgamentos alheios. Mas nesse dia eu fui direto do trabalho, então estava de vestido alto e casaco, nada era visível.
Durante a reunião algumas mães fizeram alguns comentários sobre uma professora que usava esmalte vermelho e que isso "incitava liberdade" para as meninas e que "era errado". Eu já estava incomodada com o andar da reunião até que uma mãe disse que tinha uma mãe jovem cheia de tatuagens e piercings, que eu mal parecia mãe, e que aquilo chamava muita atenção, que os pais ficavam olhando e isso a incomodava, logo várias outras concordaram só que nenhuma delas me reconheceu, essa tal mãe era eu.
Pois bem, eu fiquei na minha e de pessoa em pessoa a professora foi falando sobre o desenvolvimento do filho de cada um. Quando chegou na minha vez a professora me olhou e sorriu, disse que a Anne era uma menina incrível e muito carinhosa, que acompanhava as aulas e que adorava uma bagunça, constantemente tinha que chamar a atenção dela mas que ela sempre obedecia. Disse também que ela vivia chamando os amiguinhos de lindos/as e que sempre falava para as professoras como elas estavam lindas hoje ( coisa que ela me diz todo dia de manhã )

Todas as mães achando uma gracinha a tal da Anne e a professora disse, só tem uma coisa, quando fazemos as atividades separadas (meninos separados das meninas) se não tomarmos cuidado a Anne larga as bonecas e panelinhas pra jogar bola e correr na quadra junto dos meninos. Queríamos deixar claro que nenhuma atitude como essa é vista como incorreta, cada criança tem sua preferência.
Todos gostaram e eu mais ainda.
Tirei meu casaco, a sala ficou em silêncio, eu sorri para todas, me apresentei, disse que sou uma mãe jovem, fui muito bem criada por uma mãe sem preconceitos, e crio minha filha muito bem e me orgulho muito disso. Trabalho o dia todo e sustento ela sozinha também. Sou tão merecedora do título mãe quanto qualquer mulher ali naquela sala, e se alguém me olha a culpa não é minha. Sou educada e respeito a criação que todos escolhem aos seus filhos. Eu educo minha filha para ser uma mulher livre assim como eu, e que suas atitudes refletem o amor que dou á ela.
Todas me pediram desculpas, ganhamos nossos presentes de dia das mães e eu fui embora com minha filha, feliz.
Como podem perceber, apesar de parecer muito difícil maternar, pode ser uma experiência maravilhosa se podermos vivenciá-la com amor, sem preconceitos, com liberdade e respeito.

2 comentários:

Luiza Pinaud disse...

Adorei o texto!! Com certeza uma criação livre de preconceitos só tem a fazer bem para uma criança! E não existe um livro de receitas sobre qual é a melhor forma de se criar um filho, é uma construção. O importante é a mãe ter a noção disso e saber que, apesar de tudo, ela esta fazendo o melhor que pode!

jeniffer stetiski disse...

adorei,que lindo! incrível texto :D