sábado, 18 de janeiro de 2014

Condições desumanas em unidade carcerária de Manaus

                   Quem quer conhecer um "inferno na terra" - entra nesta porta
                       



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"Hoje pela manha entramos nesta porta, encontramos quase 400 mulheres em condições tão degradantes, terrível! Esgoto aberto de maneira que nunca vi (e olha só, já vi muita coisa), um fedor imenso em todos os ambientes, as mulheres presas com mordidas de ratos e baratas, todas as celas inundadas pela chuva da madrugada, goteiras e mofo nas paredes em todos os cantos, nem se pode encostar nas grades, pois corre risco de levar choque elétrico, etc.....

A direção, a Tenente da PM, não queria nós deixar entrar por ser "muito perigoso" lá dentro. Não permitiu entrar com maquina fotográfica (em todos os presídios que até agora visitei em AM entrei com a maquina fotográfica, só no feminino não foi liberada!!??) e ainda queriam proibir a entrada da minha CANETA, pois "as presas poderiam pegar e me matar". Pois é, entrei COM A CANETA e encontramos uma população carcerária revoltada - revoltada com justa causa. Ah! Fomos muito bem recebidos e saímos sãos e salvos - no entanto, arrasados. Recentemente este ambiente foi visitado pelos membros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), durante o mutirão carcerário e na companhia do Ministro Joaquim Barbosa... e mesmo assim esta carceragem no meio da cidade não foi interditada de imediato. Pois é, mas é isso que deveriam ter feito. Agora eu pergunto, a quem recorrer? As autoridades estaduais e federais, todos sabem desta situação e agora? A quem recorrer?

Ah, me informaram que será interditada "em breve", mas não tem prazo. Como um governo que gasta bilhões com a preparação da Copa do Mundo - para fazer bonito perante as câmeras, deixa estas pessoas em ambientes assim?

Ah! Se alguém tem uma ideia para quem mandar ainda o relatório-denúncia nosso, o grito de socorro desta população carcerária... Avisem por favor!! Mas não demorem não.
 
Ah! Só mais uma coisa, também para as agentes penitenciárias femininas é inconcebível trabalhar num ambiente assim. Também elas pediram socorro...

Há um mês me deparei com esse testemunho comovente. Irmã Petra relatava o horror que viveu ao visitar a ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus. Petra Pfaller é alemã, religiosa, Irmãs Missionárias de Cristo, advogada (brasileira), vivendo há 23 anos no Brasil, está há 20 anos na Pastoral Carcerária (PCr), mora em Goiânia e atualmente é Vice Coordenadora Nacional da PCr. Generosamente Irmã Petra cedeu as imagens que deixo com vocês. Vejam em que condições as presas aguardam julgamento. 
Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Ala feminina da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa

Pastoral Carcerária

Quase 02 meses depois da visita da Pastoral Carcerária e exatamente 03 meses depois da visita do Conselho Nacional de Justiça, conforme Irmã Petra, não foi tomada nenhuma providência, nem no sentido de amenizar os sérios problemas estruturais do prédio, nem no sentido de transferir as encarceradas. Enquanto isso a construção do prédio destinado á transferência dessas pessoas continua ocorrendo de forma lenta, permanecendo sem previsão de conclusão do novo prédio e assentamento desses encarcerados num local mais salubre. As imagens abaixo são da futura unidade prisional, pra onde as presas seriam transferidas. As imagens também foram cedidas por Irmã Petra.



4 comentários:

Gabryella Ruiz disse...

A Constituição Federal do Brasil prevê, em seu art. 5º, III, que ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento desumano ou degradante, e ainda no inciso LXVII, do mesmo artigo, proíbe-se expressamente as penas cruéis.
O hiato entre o que está escrito e o que o Estado aplica às pessoas que cumprem penas é gigantesco.
É desumana, degradante e cruel a situação dessas mulheres, que por serem pobres, simplesmente não são tratadas como gente pelos que estão no poder.
Se elas tivessem dinheiro, muito provavelmente não estariam sequer presas.

Ana Eufrázio disse...

Muito obrigada pela sua colaboração Gabryella, muito boa a sua observação. O objetivo da pena de prisão é recuperar o detento. Esse tipo de situação, tão degradante, não recupera ninguém, pelo contrário, desumaniza o preso.

Anónimo disse...

Essa cadeia tem três ou quatro vezes mais detentas do que a capacidade, o Estado deveria ter construído esse novo centro de detenção feminino há muito tempo, preferiram deixar a situação chegar a esse ponto. O engraçado é que para os homens foram construídas novas unidades, mas para as mulheres não. As autoridades não estão notando o aumento na participação feminina na criminalidade e, portanto, a necessidade da abertura de novas vagas???

Anónimo disse...

vamos todos nos mobilizar pra melhorar a vida das detentas, e quando elas forem libertadas poderão traficar e roubar de novo.
quanta hipocrisia, elas merecem !