
Não
preciso nem dizer o quanto fiquei chocada quando liguei a TV ao meio dia para
assistir o jornal e vi o vídeo do assassinato. Naturalmente o crime foi
filmado. Se por um lado o vídeo servirá como prova do crime, por outro suscita
uma séria discussão sobre a vigilância a qual estamos submetidos. Mas essa é
uma outra história, embora saiba que toda essa vigilância tenham forte relação com os altos índices de
violência a que estamos sujeitos, inclusive a que vitimou Paloma.

O
assassinato é a expressão maior da violência machista e o último ato de uma
história de opressão e outras violências.
Antes de sua consumação uma série de agressões e violações vão ocorrendo sem
que o agressor seja responsabilizado. O caso de Fabiene, garota que teve o
rosto desfigurado a murros, poderia figurar como mais um dos milhares feminicídios
em que o agressor sai impune. Felizmente ela esta viva e pode denunciar
pessoalmente o agressor. Mas será que está a salva de ser morta por ele?
“A polícia do Rio
Grande do Norte
ainda procura pelo homem suspeito de ter desfigurado o rosto de uma mulher, sua
ex-companheira. Fabiene Gonzaga Martins, de 25 anos, é dona de casa e terá que
fazer uma cirurgia para reconstituir dois ossos da face. Ela conta que apanhou
com um cabo de vassoura e levou vários socos. A polícia prefere não revelar o
nome do suspeito para não atrapalhar as investigações. [...] Fabiene tem vários
pontos na cabeça, hematomas por todo o rosto e sangue coagulado nos glóbulos
oculares. Ela foi encaminhada para o hospital após passar por exame de corpo de
delito no Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep). [...] Além das
agressões, o homem também foi denunciado por manter o filho do casal em cárcere
privado. O menino tem 4 anos. "Também demos queixa do desaparecimento da
criança. Isso foi no começo da semana, quando fomos à delegacia. Mas alguém foi
deixar o menino lá em casa. O garoto está bem, só que muito nervoso e
assustado. O pai continua solto”, disse Sônia. Ainda de acordo com a mãe de
Fabiene, o menino também apanhava muito do pai. “Ele é um monstro. Tem que ser
preso”, acrescentou. Em depoimento à polícia, Fabiene relatou que havia se
separado do marido fazia pouco mais de uma semana justamente por não aguentar
mais apanhar dele. Além da surra, a mulher contou que também foi estuprada. No
Itep, ela também foi submetida a exame de conjunção carnal para poder comprovar
o abuso sexual. G1.
Mas,
isso poderia ser é apenas um detalhe, em meio as tantas barbaridades que eles
cometem, caso não revelasse um desejo ainda mais mórbido de não apenas agredir
e causar o dor física, mas também causar sofrimento psicológico e vergonha,
deixando marcas que não são passiveis de serem ocultadas. Contudo, não estou
dizendo que somente as marcas, cicatrizes ou hematomas causem sofrimento
psicológico, toda agressão, mesmo as que não deixam marcas visíveis, provocam sofrimento
psicológico, vergonha, constrangimento, diminui a autoestima e causa uma série
de danos a vítima. Quem nunca viu uma mulher tentando esconder o rosto por
conta de um olho roxo deixado pelo marido, “companheiro” ou namorado? Mesmo com todos os danos o hematoma no rosto
apaga, e é possível, sim, recuperar o sorriso.
* Najaf Sultana, 16 anos, |
No entanto algumas cicatrizes se
perpetuam e o sorriso jamais será o mesmo. As paquistanesas sofre constantes desfigurações no roto causado por ácido e queimaduras por mais fúteis, como por exemplo, deixar de servir a comida conforme o agrado do marido ou se a família pagar um dote inferior a expectiva do noivo.Vejam as fotos.
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Shameem Akhter, 18 anos, posa para as lentes do fotoógrafo Emilio Morenatti na sua casa em Jhang, Paquistão.
Shameem foi estuprada por três rapazes que jogaram ácido em seu rosto a três anos atrás. Shameem foi submetida a 10 cirurgias plásticas para tentar se recuperar de suas cicatrizes.
Najaf Sultana, 16 anos, fotografia tirada em sua casa em Lahore, Paquistão. Quando tinha 5 anos, Najaf foi queimada pelo seu pai enquanto ela estava dormindo, aparentemente porque ele não queria ter uma outra menina na família. Como resultado da queimadura, Najaf ficou cega foi abandonada por seus pais, ela agora mora com parentes. Ela foi submetida a cerca de 15 cirurgias plásticas para tentar se recuperar de suas cicatrizes.
Shahnaz Bibi, 35 anos, posa para a fotografia em Lahore, Paquistão. Dez anos atrás Shahnaz foi queimada com ácido por um parente devido a uma disputa familiar. Ela nunca fez nenhuma cirurgia plástica.
*Najaf Sultana, 16 anos, (foto acima) fotografia tirada em sua casa em Lahore,
Paquistão. Quando tinha 5 anos, Najaf foi queimada pelo seu pai enquanto
ela estava dormindo, aparentemente porque ele não queria ter uma outra
menina na família. Como resultado da queimadura, Najaf ficou cega foi
abandonada por seus pais, ela agora mora com parentes. Ela foi submetida
a cerca de 15 cirurgias plásticas para tentar se recuperar de suas
cicatrizes. Veja outros casos em: Adrenaline.uol.
“A maioria das mulheres
que sofrem ataques com ácido relata que são vítimas dos chamados ‘crimes de
honra’, quando um homem (geralmente o marido) agride a mulher em nome da honra
da família. Segundo um relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU, em
alguns países, os assassinos não são punidos, ou recebem sentenças reduzidas,
usando como justificativa a 'defesa da honra' da família. Com a omissão do
Estado, restam às organizações não governamentais a tarefa de auxiliar as
vítimas dessa tragédia. No Paquistão, considerado o terceiro lugar mais
perigoso do mundo para uma mulher viver, a Fundação Depilex-Smileagain é uma
dessas organizações de apoio às vítimas. O grupo busca a reintegração das
mulheres na sociedade por meio de apoio médico e psicológico. Cerca de 240
vítimas estão registradas na lista de ajuda da fundação e trabalham como
esteticistas em um centro de beleza da Depilex." R7.
*MEMUNA Khan, 21 anos |
*MEMUNA Khan, 21 anos, posa para a fotografia em Karachi, no
Paquistão. Menuna foi queimada por um grupo de meninos que jogaram ácido
sobre ela para resolver uma disputa entre seus familiares. Ela passou
por 21 cirurgias plásticas para tentar se recuperar de suas cicatrizes.
Mais informações nos links a seguir:
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