segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Líder da Igreja Católica na Polônia, Jozef Michalik, declara que as crianças são responsáveis pelos abusos sexuais praticados por padres.



Por Ana Eufrázio

O arcebispo Jozef Michalik se enredou em mais uma polêmica envolvendo pedofilia. Desta vez, ao que parece, o religioso não tentou ocultar os casos de pedofilia ocorridos na igreja, preferiu culpar as crianças (vítimas) pelos abusos.


“...ao comentar os casos de pedofilia que envolvem padres. Numa conversa com os jornalistas, o arcebispo, líder da igreja Católica na Polônia, defendeu os padres e responsabilizou as crianças de famílias desestruturadas.
‘Essas crianças procuram proximidade com outros. E podem perder-se, fazendo com que a outra pessoa também se envolva’, sustentou Jozef Michalik, numa análise a abusos sexuais da responsabilidade de padres da Igreja Católica.” www.ptjornal.com.
 
Jozef Michalik. Fonte: Diáriodigital

Logo depois das declarações, ainda no mesmo dia, devido à repercussão negativa e a indignação da população, o líder da igreja procurou apagar o fogo pedindo desculpas e alegando que foi mal interpretado e não teve a intenção de culpar as vítimas.
De acordo com a imprensa Polaca, em 2004, o arcebispo teria dado apoio a um padre que teria sido condenado por crimes de pedofilia.

Em tribunal por crimes de pedofilia já estiveram 27 padres polacos desde 2001, mas a maioria dos casos acabou com penas de prisão suspensas, levantando o debate sobre a mão leve da Justiça sobre a Igreja na Polónia, país onde a religião católica é ensinada nas escolas e onde os líderes católicos participam em todas as cerimônias de Estado. Em vários países, a Igreja Católica tem pago milhões em indemnizações por casos de abuso sexual de menores.” http://sol.sapo.pt.

“Na Polónia, onde os líderes católicos participam em todas as cerimónias de Estado, a religião católica tem grande preponderância, sendo ensinada nas escolas.” http://sol.sapo.pt

Não me surpreende a declaração do Arcebispo, ela é o reflexo da cultura do estupro, universal e poderosa. A estratégia do agressor é sempre a de desqualificar e culpar a vítima, mesmo que ela seja apenas uma criança.
É inconcebível que a igreja ainda continue exercendo seu poder de forma inquestionável e dogmática, subjulgando os fieis e praticando crimes sob o escudo da fé.  A igreja tem se tornado o refúgio perfeito para pedófilos que se utilizam da respeitabilidade que goza a instituição para permanecerem impunes, na ativa e agindo acima de qualquer suspeita. É o lobo tomando conta das ovelhas.

Não vou me estender sobre os efeitos e danos irreparáveis da pedofilia sobre as vítimas porque o tema é muito vasto e merece uma postagem completamente dedicada ao assunto. No entanto, é necessário dizer que o problema é tão sério que muitas vítimas de abuso sexual se tornam adultos psiquicamente transtornados, dependentes químicos e, em muitos casos, suicidas.
File:Hexenverbrennung.jpeg
A igreja católica ainda não pagou a enorme dívida que tem conosco, mulheres, quando na “caça às bruxas”, durante a “Santa Inquisição” (espécie de tribunal religioso criado na Idade Média para condenar todos aqueles que eram contra os seus dogmas), queimou na fogueira centenas de mulheres acusadas de heresia e de bruxaria. O Tribunal do Santo Ofício, fundado pelo Papa Gregório IX, mandou para a fogueira milhares de pessoas consideradas hereges. Eram considerados hereges os adeptos de doutrinas ou práticas contrárias aos dogmas da Igreja, os praticantes de “bruxaria” ou os seguidores de outra religião que não o catolicismo. Eram muitas as razões pelas quais as pessoas poderiam ser acusadas de hereges e quase sempre condenadas a morte pela prática. Boa parte do patrimônio da Igreja foi acumulado através do confisco do espólio dos condenados.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/94/Pandora.jpgNão bastassem os homicídios cometidos durante a Inquisição a Igreja ainda trás sobre o branco de sua batina o sangue derramado durante “As Cruzadas”, o genocídio dos índios da América Latina promovido pela Companhia de Jesus (colonizadores e catequizadores) sob as liderança de Padre José da Nóbrega e Padre Anchieta... E há algum tempo temos assistido ao “infanticídio” de um número obscuro de garotos que têm as vidas, infâncias e fé roubadas sob sua tutela.

É necessário que a Igreja venha a público pedir perdão ás vítimas e seus familiares, como também a toda sociedade. Também é premente a revelação e punição dos culpados.  Não é justificável que a Igreja tente varrer mais esse escândalo para debaixo do tapete pois, sob seu domínio, a Caixa de Pandora foi aberta.





7 comentários:

Hd paula disse...

Absurdo cara. Parabens pela postagem, que mais pessoas abram os olhos perante a igreja e sua fé equivocada.

Anónimo disse...

Você poderia colocar o link que leve as notícias e o que foi falado, eu pesquisei nos sites que você colocou e não encontrei nada.
Pode até ser verdade, mas se você posta algo sem ver se realmente procede, FORMADA EM QUÍMICA, ADMIRADORA DE UMA BOA LITERATURA, ENCONTRA NA ARTE UMA MANEIRA DEIXAR FLUIR TODA CRIATIVIDADE E EMOÇÃO.
você não precisa ser formada em jornalismo, mas já que tem um blog procure informações verdadeiras e não manipulações das mesmas.

Ana Eufrázio disse...

"A documentação sobre a mortandade é abundante para os que não escolhem limitar-se à carta de Caminha. Como na parte espanhola, a devastação se deveu à violência e às doenças trazidas pelos invasores: varíola, sarampo, gripe, peste. Não tivemos um Las Casas para denunciar o crime, mas os depoimentos de Anchieta, Nóbrega, Cardim, Vieira e outros não deixam margem a dúvida.
Alguns exemplos. Anchieta fala da morte por doença, em 1562, de 30 mil índios em um período de dois ou três meses. A violência e a escravidão, segundo o mesmo jesuíta, dizimaram em alguns anos 80 mil índios das missões da Bahia. O padre espantava-se com a rapidez com que "gastava gente", era coisa "em que não se pode crer". Simão da Silveira conta que 500 mil tupinambás foram dizimados no século 17 graças aos esforços do capitão Bento Maciel Parente, que se aliara a tribos rivais, copiando a tática de Cortés no México.

A marca portuguesa talvez esteja no fato de que o próprio Anchieta tenha escrito um panegírico a Mem de Sá, o exterminador de índios. A principal tarefa do terceiro governador-geral foi fazer guerra aos donos da terra, estivessem ou não aliados aos franceses. Exterminou os caetés como castigo por terem ousado moquear e comer o bispo Sardinha. Vangloriava-se de ter destruído todas as aldeias tupiniquins em Ilhéus e de ter enfileirado uma légua de cadáveres deles na praia. O extermínio dos tamoios, aliados dos franceses, foi cantado por Anchieta em 'De Gestis Mendi de Saa', em versos que lembram a crueza, embora não a qualidade, dos de Homero. Segundo o "Apóstolo do Brasil", a melhor pregação para aquela gente bárbara era "espada e vara de O mesmo empreendimento colonizador que dizimou em três séculos 3 milhões de nativos foi também responsável pela importação, nos mesmos três séculos, de 3 milhões de escravos africanos, cuja sorte não foi melhor. Se as palavras não são para encobrir as coisas, só há uma expressão para descrever o que se passou desde 1500: conquista com genocídio dos índios, seguida de colonização com escravidão africana. Daí viemos, em cima disso foram construídos os alicerces de nossa sociedade. Descobrir o Brasil hoje é tirar o véu que o 'descobrimento' lança sobre este lado inescapável de nossa herança. Algum chato poderá mesmo perguntar por que não se aproveita o ímpeto celebratório para uma ação de impacto em benefício dos que pagaram a conta desses 500 anos."

Veja artigo completo em ferro".http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_6_4.htm

Com relação a "Santa Inquisição" e as "cruzadas" Não vou me dar de procurar, os dados são vastos

Ana Eufrázio disse...

Colonização da Região de São Paulo: Índios, colonos,
jesuítas e bandeirantes
Maria Aparecida Papali, Maria José Acedo
del Olmo e Valéria Zanetti de Almeida

http://www.camarasjc.sp.gov.br/promemoria/artigos/arquivos/86d277b736.pdf

Anónimo disse...

Desculpe acho que não me fiz entender, obrigado pela aula de historia mas isso eu já conheço, claro que tem uma ou outra info. desencontrada no seu relato.
peço o link das citações, quero ver e ler a matéria onde ele falou isso na integra

Ana Eufrázio disse...

Para acessar a fonte basta Clicar nos links disponíveis ao lado da transcrição. Você não conseguiu acessar o site, fonte da informação, por problemas da quebra do link ocorrida durante postagem (coisas da internet). Acredito que poderá acessar agora.
Bom dia.

Anónimo disse...

obg