segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Suplente de vereador assassina ex-mulher



Por Ana Eufrázio

O suplente de vereador, ex-vereador de Fortaleza e atual chefe de gabinete do prefeito de Madalena, Francisco das Chagas Filho (PTdoB), de 47 anos, assassinou  a facadas sua ex-mulher,  Andreia Jucá Terceiro, de 39 anos, com quem estava casada a mais de 18 anos e tinha 3 filhos. O crime aconteceu na tarde de ontem, 13 de outubro, no apartamento dela, no bairro Rodolfo Teófilo.  O assassino Francisco, que na Câmara Municipal adotou o nome Alan Terceiro, foi autuado em flagrante por homicídio qualificado. O inquérito corre no 34º distrito.
imagem do Diário do Nordeste

Segundo informações do inspetor de policia civil Kilder Vasconcelos, o assassino teria alegado ter flagrado a mulher com o amante e essa teria sido a motivação do assassinato. Entretanto, os vizinhos, que chamaram a polícia e tentaram arrombar a casa pra socorrer a vítima, não viram ninguém entrar ou sair da casa, além do homicida. Ainda de acordo com Kilder, a vítima estaria separada do político a mais de um mês e já teria sido agredida por ele outras vezes.

Infelizmente, Andrea é somente mais uma mulher dentre as 15  mulheres assassinadas no dia ontem em todo território nacional. Ainda hoje serão mais 15, amanhã mais 15, depois mais 15... E o mais preocupante é que em torno de 7 delas são mortas pelas mesmas motivações alegadas por Francisco, “passionalidade”, e o assassino, obviamente, é o próprio (ex)marido, (ex)namorado.

Kilder informou que a vítima teria recebido 10 golpes de faca. Ai me vem a seguinte pergunta; enquanto uma pessoa golpeia uma outra, antes de alcançar o quinto golpe, não dá tempo do agressor pensar sobre o que esta fazendo?  É lógico que daria tempo sim, caso não se tratasse de crime de ódio. 
Alan Terceiro- Francisco da Chagas Filho (Fonte: Ceará news 7)

Os crimes ditos passionais são permeados de muito ódio, não cabe aqui a alegação de que foi um momento de raiva não, porque um indivíduo que convive com uma pessoa por 18 anos, tem filhos com ela e mesmo assim tem esse nível de crueldade não pode alegar que não pensou no que fez. Além do mais, nos crimes cometidos a faca a vítima fica próxima demais do agressor e por esse motivo luta com ele. 

Então mais uma pergunta; durante essa luta não deu pra ele se compadecer dela?

É claro que não. Porque como disse, os crimes “passionais”, na realidade, são crimes de ódio. Não há paixão nesse tipo de crime, há ódio. O homem machista (que muitas feministas gostam de chamar masculinistas ou a abreviação mascu) não suporta ser preterido, como eles próprios alegam “se não for minha, não será de mais ninguém”. Andreia foi morta aos 39 anos porque não deveria ser de mais ninguém e assim como ela centenas de milhares de outras mulheres.

Que paixão é essa que mata? Não é por paixão, é por posse.  É por perder um bem(mulher) do seu patrimônio. É por ódio, porque a mulher pode optar e escolher o que é melhor pra ela. É por frustração por ter sido preterido.

A alegação de que Andreia estaria com um “amante” (o que não parece verídico) na ocasião do crime é uma clara demonstração de que ele se achava dono da vítima. Levando em consideração que os dois já estariam separados, com qual direito poderia intervir na vida amorosa dela?


Se já estavam separados, porque estava se justificando através da alegação de que a teria pego com um amante? Se já estavam separados, o outro seria namorado ou qualquer outra coisa, menos amante.

Mas vamos supor que ainda estivessem casados, mesmo assim, ele não teria o direito de sequer agredi-la verbalmente. Teria ele de deixar o local e resolver a questão noutra ocasião com mais calma de forma civilizada.

É interessante que o homem saiba que a mulher não é sua propriedade e que ela tem todo o direito de se relacionar com quem achar melhor. Se o casamento ou namoro não vai bem, que cada um siga sua vida sem cobranças e sem retaliações. As pendências sobre dinheiro e filhos se resolvem na justiça. De resto, é bom senso e respeito aos direitos do outro.

Estamos observando esse caso e esperamos que ele seja punido com todo o rigor da lei, porque somos todas "Andreia". 

2 comentários:

N. Rodrigues disse...

Meu deus... que explicação pode existir para um monstro desses? Porque humano já não é mais faz tempo. E ainda que ele tivesse traído ele, não só uma vez mas todos os dias, isso não justificaria ele a ter assassinado. NADA justifica. Se a honra é maior do que o juízo, ele que reze para a honra dele salvá-lo da vida miserável que ele vai ter na cadeia. E que lá apodreca. Pq, aqui fora, eu rezo é para que não sai de lá vivo.

Parabéns pelo seu blog, Ana. Você é uma mulher admirável.

Ana Eufrázio disse...

Obrigada N. Rodrigues pela deferência. Mas eu sou mais uma mulher indignada e inconformada, como também, com um enorme sentimento de impotência.